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Trilhando a História

A Praça não é do Baú

 

Busto do Marechal Rondon
As praças são uma forma de paisagem, seja
esta bem vista pela sociedade ou não. Paisagem que com o passar do tempo foi
transformada pela natureza humana, ou mesmo esquecida por ela. Assim, “Paisagem
e espaço não são sinônimos. A paisagem é um conjunto de formas que, num dado
momento, exprimem as heranças que representam as sucessivas relações
localizadas entre homem e natureza. O espaço são essas formas que a vida anima”
( SANTOS, 1997, p. 83).
Com isso, além de espaço social e para o
lazer, a praça possui um intem fundamental, o de resgate da memória histórica,
não raro, nos oferta conclusões de suma valia para a orientação e comportamento
do homem, notadamente por que uma das conclusões extraídas desse resgate
através de uma praça, nos revela naturalmente que os ciclos históricos se
repetem com alguma exatidão e as atitudes dos homens, em determinadas
circunstâncias, são sempre as mesmas. Daí entendemos ser história uma fonte
inesgotável de exemplos de vivência e convivência.
Praça Marechal Rondon – Centro de Porto Velho – RO
Assim sendo, as praças estão inseridas neste
contexto, em que a paisagem deve ser valorizada e seus espaços bem estruturados
e planejados. Caso contrário esses espaços, nesse caso, as praças, acabarão se
tornando basicamente uma mercadoria, como aponta o geógrafo Santos: “o espaço
uno e múltiplo, por suas diversas parcelas, e através do seu uso, é um conjunto
de mercadorias, cujo valor individual é função do valor que a sociedade, em um
dado momento, atribui a cada pedaço de matéria, isto é, cada fração da paisagem”.
(SANTOS, 1997, p. 83).
É triste constatar que a cada geração é
reproduzida equivocadamente o nome “Praça do Baú” por populares. A devida praça
na avenida sete de setembro, corresponde na verdade ao personagem Marechal
Cândido Rondon patrono do Estado de Rondônia. O erro foi provocado pelo costume
popular, na forma de se fazer referência aquele lugar, a partir da existência de
uma loja de vendas denominada Baú. Hoje o devido estabelecimento já não mais
existe.
Marechal Rondon em Mimoso – MT
A Praça Marechal Rondon, construída na década
de 30 do século passado, pela E. F. Madeira Mamoré, na fase pós –
nacionalização, quando Aluízio Pinheiro Ferreira era o diretor da ferrovia, foi
inaugurada no dia 15 de novembro de 1939 pelo diretor da Madeira Mamoré e o
Prefeito Ferreira Sobrinho. Um busto em bronze de Rondon foi colocado em um
pedestal de mármore.
Esse espaço público além de ter sido cenário
de comícios políticos nas décadas de 50 e 60 do século passado, quando Ademar
de Barros, Juscelino Kubitschek, João Goulart e Jânio Quadros pronunciaram discursos
vibrantes pedindo votos, também foi local de encontro dos membros do Clube da
Madrugada que tinha o popular Dionísio Xavier, o “Dió”, como um dos membros
mais atuantes.
Praça Marechal Rondon – Centro de Porto Velho – Rondônia
A praça deveria ser do povo. Mas que povo?
Preocupante é o descaso dos gestores públicos com as praças de Porto Velho. Mas
estarrecedor é a falta de conhecimento e pertencimento dos que aqui vivem com
nossa identidade. O Povo.
As manifestações artísticas e culturais de um
povo são expressas nas idéias e ideais do projetista que ao planejar uma praça
ou até mesmo um jardim, expõe de forma clara e concisa os modismos e
atualidades de uma época e de um povo. Os valores também são expressos nos
traços culturais contidos nesses espaços públicos, que foram se alterando nos
anos e no tempo. Muitos dos valores resistiram, outros modificaram e outros até
se perderam.
Praça Marechal Rondon – Porto Velho – Rondônia
O fato é que os tempos mudaram e com eles
vieram novos hábitos e costumes assumidos pela população nas cidades de um modo
geral, deixando a praça de ser um espaço prioritário, de recreação. Este fato,
no entanto, não pode sinalizar que as praças, parques e os espaços verdes nas
cidades devam ser colocados em segundo plano pelo poder público. Ao contrário,
é necessário que se busquem caminhos para a implantação e a manutenção destes
espaços, não apenas por serem ecologicamente importantes, historicamente
imprescindíveis, e possuírem valores estéticos, mas, sobretudo por serem
instrumentos de amenização da amplitude térmica nos centros urbanos. Outro
fator que deve ser levado em consideração é o sentido homem/natureza/memória,
sendo possível ampliar com as praças, as relações da população com a paisagem e
sua história. Pois povo sem história não é povo, é bando.
  
Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098

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