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Trilhando a História

ACRE E RONDÔNIA – LAÇOS HISTÓRICOS

                            

         Muitas
vezes nos perguntamos qual é a nossa relação histórica com o estado vizinho do
Acre. Devemos salientar que Porto Velho, capital de Rondônia só existe em parte,
por conta do Tratado de Petrópolis assinado em 1903 entre Brasil e Bolívia, como
resultado, o fim do impasse entre os dois países com relação ao território da
Bolívia que hoje é brasileiro, e é sede geográfica do Acre. Por isso a ferrovia
Madeira Mamoré foi construída, ela que deu origem a cidade de Porto Velho,
estava com um dos itens do acordo assinalado pelo Brasil com o país vizinho.
Palácio Rio Branco – Acre
        A política de preservação da história
do povo acreano é invejável. É latente o orgulho daquele povo por sua história,
que é a soma de luta de seringueiros, índios, pioneiros e descendentes daqueles
que fizeram parte da Revolução Acreana. Porto Velho infelizmente, está anos luz
de uma política de preservação do patrimônio histórico e cultural. Nossos
gestores parecem não se alimentar do berço de nossa história. Estes deveriam
buscar no passado, a glória dos pioneiros que antes estiveram aqui e fincaram as
estacas de nossa origem. Beber a água do passado de Rondônia, é se inspirar e
alinhar-se aos valores culturais que representam o verdadeiro povo de nosso
Estado.
Extração do Látex na Amazônia – corte espinha de peixe – Borracha – 1910
No decorrer de toda a segunda
metade do século XIX e durante os primeiros  12 anos do século XX, a Amazônia
respondia em média, por mais da metade da produção mundial de borracha, o que
foi somente possível devido ao aumento da oferta de mão-de-obra na região,
oriunda, sobretudo, do nordeste brasileiro.
ANEXAÇÃO DO ACRE AO TERRITÓRIO
BRASILEIRO
À medida que os imigrantes
nordestinos chegavam, fugindo da seca, cada vez mais avançavam para o interior
da região, rumo ao ocidente, em busca de seringueiros para extração do látex.
Assim, passado pelos vales do
Xingu, Tapajós, Madeira, Javari, Purus e Juruá, os seringueiros alcançaram
terras bolivianas, que foram sendo ocupadas por eles.
As autoridades bolivianas
reagiram contrariamente à presença de brasileiros na região, conhecida
atualmente como Estado do Acre. Brasileiros e bolivianos envolveram-se em
disputas e conflitos armados pela posse da área.
Plácido de Castro – líder da Revolução Acreana
Em 1902, o gaúcho Plácido de
Castro, liderando os seringueiros brasileiros, toma a vila de Xapuri e proclama
a independência do Acre, visando posterior anexação do Estado independente do
Acre ao Brasil.
Entretanto, a disputa somente
chegara ao término com o acordo firmado com o Brasil e a Bolívia, em 1903,
chamado de Tratado de Petrópolis.
Combatentes da Revolução Acreana – 1902
Pelo Tratado, o Acre foi
anexado ao Brasil e, em troca, este se comprometeu em doar à Bolívia uma
pequena faixa de terra que lhe permitia ter acesso ao Rio Madeira, a pagar 2
milhões de libras esterlinas ao governo boliviano e a concluir a estrada de
ferro Madeira-Mamoré para ligar a Bolívia ao Oceano Atlântico.
O governo do Amazonas
interveio enviando armas e suprimentos na ocasião dos conflitos armados, entre
brasileiros e bolivianos, pela posse atual do Acre, pois objetivava anexar as
terras do atual Acre ao Amazonas.
A ESTRADA DE FERRO
MADEIRA-MAMORÉ
Para escoar a produção de
borracha, oriunda do Mato Grosso e de terras bolivianas, foi concebida, em
1861, a estrada de ferro Madeira-Mamoré. Essa estrada permitiria vencer os
trechos encachoeirados e difíceis, para a condução da borracha, até alcançar o
trecho navegável do Rio Madeira e transportar a produção aos portos do rio Amazonas,
em Manaus e Belém, onde seria embarcada e conduzida ao exterior através do
oceano Atlântico.
Estação da estrada de ferro em Porto Velho – 1914
Para tanto, iniciou-se a
construção da ferrovia em 1872, que ficou sob a responsabilidade da firma
inglesa chamada Madeira-Mamoré Railway Co. Ltda. Quase um ano depois, a
construção da estrada foi interrompida devido ao pedido de rescisão de contrato
feito pela empresa Public Works, alegando ter sido enganada quanto à extensão e
complexidade geográfica da região.
Além dos conflitos com os
nativos da região, que defendiam suas terras, as epidemias não tinham como ser
tratadas na área, provocando um grande volume de morte de trabalhadores.
Encontro anual no E.U.A em 1958 dos ex construtores da E.F.M.M.
A construção da estrada foi
retomada somente em 1878 por uma firma norte-americana, a P.T. Collins, que
desistiu, após pouco mais de um ano, por se encontrar completamente falida, sem
condições de prosseguir e concluir a estrada. Até então, apenas 7 quilômetros
de ferrovia haviam sido feitos.
A retomada da obra só se daria
após a realização do Tratado de Petrópolis, em 1903, pelo qual o Brasil se
comprometia em empreender a construção da estrada. Com isso, reiniciou-se a
obra em 1907, ligando Porto Velho a Guajará-Mirim, encerrando-se em 1912,
compreendendo um percurso de 366 quilômetros.
Primeira locomotiva da Amazônia de 1878 – Coronel Church
Durante a última fase, onde o
americano Percival Farquar, foi responsável, foram contratados milhares de trabalhadores
vindos não só do nordeste e de outras partes do Brasil, mas também de países da
América Central, da Europa e da Ásia. Estima-se em cerca de 22 mil pessoas,
dentre os quais grande parte, quando não morria, retornava ao seu país de
origem, em virtude da falta de adaptação à região.
Desembarque do operários da ferrovia em Porto Velho.
Ao ser concluída a estrada,
todavia, o ciclo da borracha já entrava em decadência na Amazônia, em razão da
fatal concorrência asiática, e, com isso, a estrada de ferro foi sendo aos
poucos se tornando inoperante, sendo oficialmente desativada em julho de 1972.
Hoje abandonada, não é nem de longe, a representação da epopeia dos homens que
ousaram desafiar a floresta, para construir um sonho. Sonho hoje é, fazer todo
o complexo do pátio da ferrovia ser revitalizado, servindo não apenas como ponto
de encontro da cidade. Mas, como ponto comum da identidade de um povo que luta
para preservar a sua identidade, a sua história.
 Aleks Palitot
Historiador
reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n°
483/2007, Livro 001, Folha 098

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