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Trilhando a História

A Erradicação da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

Locomotiva da E.F.M.M na localidade de Abunã
No dia 10 de julho de 1972, Porto Velho estremeceu e chorou, quando ecoaram pela última vez nos quatro cantos da cidade, os apitos das locomotivas: era o adeus, face à paralisação definitiva da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Nas altas esferas burocráticas ninguém imaginaria que aquele traçado ferroviário se transformaria em um mito indelével para muitos, e para alguns outros, se substituiria numa nova pátria, afirmou mais tarde o professor Vitor Hugo. Na ocasião da desativação definitiva, um pioneiro da região e antigo funcionário da ferrovia, Vivaldo Teixeira Mendes, proferiu discurso emocionado, numa manifestação de quanto significou para os pioneiros que construíram Rondônia.
“ Estrada de Ferro Madeira-Mamoré! Tu que foste a estrada dos trilhos de ouro, tu que foste a espinha dorsal do Território, tu que foste a estrada da esperança, tu que foste a ferrovia do diabo, tu que transformaste Porto Velho na promissora cidade de Porto Velho, tu que foste pioneira da civilização e do progresso desta região…Hoje termina tua jornada. Quando o monstro de ferro não mais romper a mata com seu estridente apito, quando as criancinhas não virem passar a Maria-Fumaça, não tendo mais na sua inocência a quem acenar, quando tuas locomotivas e teus vagões, que carregavam tantas riquezas, descansarem na sucata, à margem da linha, apresenta-te, querida Estrada de Ferro, ante o altar da Pátria, altaneira e varonil, bate continência ao gigante pela própria natureza e dizer-lhe: Pronto, Brasil, missão cumprida! Minha querida Madeira-Mamoré…deixas a vida para entrar na história. Por poucos serás esquecida, por muitos serás lembrada e por todos serás venerada…”
Em 25 de maio de 1966, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré iniciou sua erradicação pelo decreto n° 58.501. No dia 22 de agosto do mesmo ano o Ministério da Viação e Obras Públicas assinou convênio com o Ministério da Guerra, atual Ministério do Exército, no qual passava o acervo da E.F.M.M. para a administração do 5° Batalhão de Engenharia e Construção, sendo que a transferência do atual Ministério dos Transportes para o 5° BEC deu-se em setembro do mesmo ano. Entretanto, aquela unidade militar teria verificado a inviabilidade da paralisação imediata da ferrovia, por ser ela o único meio de transporte de Porto Velho e Guajará-Mirim, mesmo porque ela se constituiria no principal ponto de apoio na construção da rodovia que viria substituí-la. Somente em setembro de 1968, com a abertura da estrada rodoviária é que teria começado a agravar-se o problema financeiro da ferrovia que, segundo seus dirigentes, quase entra em colapso; mesmo assim o 5° BEC a manteve precariamente até maio de 1972, quando o general Queiroz, comandante do 2° Grupamento de Engenharia autorizou a imediata paralisação do tráfego, sendo marcado o dia 10 de julho do mesmo ano para o apito final, na presença de autoridades constituídas e do povo em geral.
Aleks Palitot
Professor e Historiador

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