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Grupo KES - Curso de Formação de Bombeiro Civil


Trilhando a História

Humaitá, a princesa do Madeira

No
século dezenove, mais precisamente na segunda metade do mesmo, um grande
comércio de extração, compra e venda de produtos regionais, especialmente
borracha, se desenvolvia nesta região, tanto as margens do Rio Madeira, como de
seus afluentes e sub-afluentes, como também na região vizinha ao Mato Grosso e
fronteiras com a Bolívia. Navios de grande calados, vinham de Manaus e Belém do
Pará, subiam e desciam o Rio Madeira levando mercadorias e trazendo produtos.
Igreja Nossa Senhora da Conceição – Humaitá – AM
Na
aventura de enriquecer fácil, não só humildes trabalhadores braçais, mas também
homens de negócios, do Brasil e do mundo, vieram para cá e desafiando todos os
obstáculos que oferecia a região, toda em desbravamento, como a própria
floresta cheia de índios, animais ferozes e doenças, aqui se estabeleceram e
com coragem heróica dominaram a todos, forjando o desenvolvimento da região,
descobrindo seringais nativos e formando povoados, dos quais alguns se
transformaram em vilas e cidades, como foi o caso do povoado de Humaitá.
O
senhor José Francisco Monteiro, que foi o fundador de Humaitá, era homem dotado
de muita prática comercial adquirida no Maranhão, de aonde acabava de chegar,
estabelecendo-se no lugar Pasto Grande, algumas milhas acima da atual cidade de
Humaitá, tornando-se um dos seringais mais importantes da região.
José
Francisco Monteiro, fundador de Humaitá, nasceu na cidade do Porto, em
Portugal, a 19 de março de 1830. Após ter iniciado os estudos nas escolas
públicas da cidade natal, veio em 1840 para o Brasil e entrou para o comércio em São Luís do Maranhão. Em
1865 foi enviado a Belém, do Pará como representante de uma casa comercial. Em
1869 veio para o Rio Madeira. Em 1890 foi nomeado primeiro Superintendente de
Humaitá, tendo-se isso repetido em 1902, 1908 e 1013. No ano de 1891, de Cônsul
na Bolívia a ser definitivamente encarregado do Consulado e da Agência
Aduaneira da República Boliviana no Rio Madeira. Faleceu em Humaitá, com 97
anos de idade em dez de outubro de 1917.
Antes
do Comendador
 

Comendador Francisco Monteiro
Os
padres jesuítas mantinham no Rio Preto, afluente do Rio Madeira, desde 1693 a Missão de São
Francisco encarregada da pacificação dos índios Toras e Araras. Em 1835 essa
Missão foi elevada a freguesia pelo governo na Província do Amazonas.
Os
primeiros habitantes da região foram os indígenas, que praticavam a economia de
subsistência, como a caça, a pesca, o extrativismo e a agricultura familiar. Os
rios Maici e Marmelo – também chamados de rios Torá e Tenharim – abrigavam a
maior parte das etnias indígenas que povoavam o lugar, sendo grandemente
numerosos. As principais etnias que habitavam a região eram a Parintintin,
Pama, Arara e os Mura.
A
Criação do Município
Sede da Prefeitura de Humaitá no Amazonas
O
município foi criado pelo Decreto Nº 31 de 4 de fevereiro de 1890, tendo sua área territorial desmembrada do município
vizinho de Manicoré. A Comarca de Humaitá foi criada no ano seguinte,
através do Decreto-Lei nº 95-A de 10 de abril de 1891, assinado pelo
Governador Eduardo Ribeiro. Neste ano também aconteceu a
fundação do primeiro jornal da cidade, O
Humaythaense
 (o segundo jornal, O Madeirense,
foi fundado anos depois, em 1917), assim como a vinda do primeiro Destacamento
da Polícia Militar do Amazonas para o
município. Em outubro de 1894, no auge do Ciclo da Borracha, Humaitá é elevada à categoria de cidade.
Origem
do nome da cidade
Thompson
relata que a palavra “Humaitá”, é de origem indígena, do tupi-guarani e
seu significado é: (Hu = negro, ma = agora,itá =
pedra – “a pedra agora é negra”). (Thompson, 1978, pág. 181). Já por Machado,
em seu dicionário etimológico português,
o significado seria derivado do tupi (“mbaitá” = Papagaio pequeno).
(Machado, 2003, pág. 246). Já na língua da etnia Parintintin(“mu`tá”
= Pau atravessado), pois era comum os antigos irem ao Porto da Anta, que fica
atrás do primeiro mercado municipal onde existia um buraco, para fazer
armadilhas e pegar caça, pescar e avistavam as toras de madeira descendo rio
abaixo. (Mª. G. Parintintin, 1994). Mas seu fundador dera este nome devido a
uma das batalhas que o Brasil travou contra o Paraguai no
Forte Humaitá.
Aleks
Palitot
Historiador
reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma
n° 483/2007, Livro 001, Folha 098
 

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