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Trilhando a História

Margens de Rondônia

Rio Preto – Candeias do Jamari
Do que falam as margens? O que revelam? Ou ocultam? Fala-se
delas ou elas? Dos discursos historiográficos que tratamos pouco importa trocar
as margens de lugar. Não se trata de inverter ou eleger centros e periferias da
história. A questão estaria menos no local – espaço geográfico – mas, sim, no
papel ocupado por algumas narrativas e seus cenários num determinado discurso
historiográfico, que nacional, homogêneo e hegemônico.
Rondônia é a cristalizada por culturas que nasceram no berço
dos seus rios, e aqui, somos agraciados pelos rios Madeira, Mamoré e Guaporé, e
como uma tríade, uma Santíssima Trindade, proporcionaram no passado, o ingresso
dos sertanistas, a sobrevivência dos nativos, e no presente a permanência de
algumas comunidades caboclas e tradicionais.
Rio Pakaas em Guajará Mirim
E os rios têm seus senhores e também seus servos. Sociedades
indígenas reinventam-se como no Mamoré e Pakaas. Podemos, assim, percorrer os
desvãos das corredeiras do Madeira e da vida de índios que por ali ainda
existem. Ritos e sons dos rios confundem e são confundidos com as experiências
de indígenas e setores envolventes. O Guaporé ganha vida histórica. Como a
Amazônia, ele também é inventado como região, espaço geoecológico. Dele
expulsa-se a história. Mas a recuperamos nos relatos de conquistas. O
silenciado e o enfatizado se invertem. Menos mediação da natureza e, sim,
expectativas e percepções. E de carne e osso, sangue e coração. São povos como
os quilombolas de Santa Fé e Santo Antônio das Pedras Negras no Guaporé
refazendo o contato colonial, suas identidades e, portanto, a si mesmos. O Outro
paulatinamente reinventa o Nós. E ambos mudam. Desejos da conquista e
colonização são escravos das canoas, e estas dos rios.
Rio Madeira – Porto Velho
Ao tentar fazer alusão a grande aventura de navegar pelo
vasto desconhecido da Amazônia, passado este, vivido pelos bandeirantes e
sertanistas, encontramos, não apenas um grande desafio, mas no presente, uma
enorme sintonia com a natureza envolta pelos seus rios de uma beleza que
somente quem vive na Amazônia poderia entender. Por alguns rios que naveguei em
meu caiaque, pude não apenas viver uma nobre aventura, mas pude sentir e
imaginar as dificuldades enfrentadas no passado, pelos navegantes que
desafiaram primeiro a grande floresta de Rondônia. Estes nos deixaram no presente,
a Amazônia, inexplorada em quase sua totalidade, embora por aqui, a história
nos diz, passaram os destemidos pioneiros. Estes enfrentaram, problemas bem
maiores para fazer valer a presença do homem neste recanto do planeta.  Naveguei com minha modesta embarcação da
aventura, pelo Rio Madeira, o majestoso e perigoso Madeira, e assim consegui
mensurar de perto o quando devemos respeitar a força de suas águas, a força de
suas lendas e a energia de seu curso. Senti o calor da emoção de navegar no
encontro do Rio Beni e Mamoré entre Guajará-Mirim e Nova Mamoré, onde a
fronteira não é apenas representada por um detalhe geográfico, mas, sim pela
diversidade da cultura, história e natureza. Conheci também o encontro da águas
do Pacaas e Mamoré. Rios distintos que não se misturam, mas são homogêneos no que
tange a harmonia da Amazônia e seu enorme ecossistema.
Rio Beni e Mamoré – fronteira Bolívia e Rondônia
O que falar então do Rio Guaporé? Palco de batalhas entre
portugueses e espanhóis no século XVIII, que disputavam no passado a posse do
lugar, em virtude das riquezas da Amazônia Guaporeana, sendo estas: o ouro e as
drogas do sertão. Hoje, a disputa é exercida pelos pássaros, animais selvagens,
peixes e bôtos, onde a procura por um território por tais espécies, geram uma
busca incessante pelo demarcar e defender,  palmo a palmo, 
o seu espaço na floresta. Se no passado o Eldorado era sinônimo de ouro
e prata para os colonizadores, para nós, que vivem em Rondônia, o verdadeiro
eldorado é uma esmeralda, verde e polida. O nosso Eldorado é o verde da
Amazônia, e essa; de maneira sustentável, devemos explorar e defender.   
Rio Madeira – Porto Velho.
Em muitos artigos e manuais – o que se passou chamar de
Amazônia foi verdadeiramente expulso. Uma expulsão histórica, uma cada vez
historiográfica. Inventada como região – unida e homogeneizada – a Amazônia foi
transformada num mundo distante. Da história distante, mas próxima da natureza.
Reintegrar estes mundos não é tão-somente um esforço bem intencionado ou
politicamente correto de compreender o regional. Significa entender a
construção de ima(r)gens naquilo que nomeamos Amazônia, experiências não foram
miméticas ou variáveis passivas de mundos dela distantes, mas ligados pelo
cultura e viver dos seus rios.
Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87

Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098

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