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Trilhando a História

Os Segredos de Nasca

 

Geoglifo de Nazca – Desenho do Condor
Eram
os Deuses Astronautas?  Esse é um título
de um livro escrito
em 1968 pelo suíço Erich von Däniken, em que o autor teoriza a
possibilidade das antigas civilizações terrestres serem resultados de alienígenas (ou astronautas).
Von Däniken apresentou como provas ligações entre as colossais pirâmides egípcias e os incas, as
quilométricas linhas de Nasca e os monumentos da Ilha de Páscoa.
Pude
ver de perto a monumental região de Nasca, e constatei a beleza sem igual de um
deserto exuberante, de uma cultura milenar e de uma intrigante história da
Civilização Nazca.
Aleks Palitot no Deserto de Nazca – 2014
O
país Peru sempre é lembrado pela famosa cidade sagrada de Machu Picchu. E não
poderia ser diferente, Machu Picchu é incrível. Mas, os Andes, são marcados
pela presença de muitas outras civilizações, que ao longo do tempo e da
história foram conquistadas pelo Império Inca, e sendo incorporadas aos
costumes e hábitos dos “Filhos do Sol”. Os Nazcas foram mais uma dessas
civilizações dominada pelos Incas e assim, parte da sua cultura foi sendo
abandonada.
Mas,
como dizia um general romano: “ O que fazemos em vida, ecoa na eternidade”, e
assim, as grandes obras e monumentos da civilização Nazca permanece preservada,
graças ao empenho desse povo no passado, e atualmente, devido as políticas de
preservação do patrimônio histórico pelo governo peruano.
Pirâmide de Cauhachi no Deserto de Nazca – 2014
A
eternidade em questão está relacionada a tantos sítios arqueológicos que
existem naquele deserto. São mais de 150 geoglifos,  desenhados em um deserto de pedras e areia,
que mesmo com as tempestades de areia que a população local denomina “Paracas”,
chuva de areia, os desenhos resistem, como tatuagens do tempo, feitos para durar,
para reverenciar os deuses. Além dos desenhos em forma de macaco, colibri,
condor, baleia e outros mais, existem cerca de mais de 7 mil linhas, que seguem
pelo deserto, em um caminho que parece não ter fim.
Aquedutos de Nazca no Peru – 2014
Mas
que resposta se teria para esses enormes desenhos que somente são perceptíveis
em suas formas, visto de cima? Existem muitas versões, e é isso que alimenta ainda
mais o indecifrável enigma de Nazca. A versão mais considerada é a da
pesquisadora alemã Maria Raiche, que teve boa parte de sua vida, dedicada aos
estudos das linhas de Nazca, e sua conclusão é que o conjunto de desenhos e
figuras, trata-se de um enorme calendário astronômico dedicado aos deuses.
Pôr do Sol no Deserto de Nazca Peru – 2014
Além
das linhas, Nazca possui outros sítios históricos e arqueológicos importantes,
tive o privilégio que conhecê-los, e ficar ainda mais surpreendido com a força
e obstinação da Civilização Nazca.
Em
Nasca você pode conhecer o Cemitério de Chauchila, e entender através das
múmias daquele lugar, um pouco da cultura, vida e cotidiano de um povo. Formas
semelhantes dos egípcios no processo de mumificação, a crença na vida após a
morte e os túmulos recheados com jóias em prata e ouro, cerâmicas e jarros com
pinturas perfeitas, que infelizmente muitas das quais foram roubadas por
ladrões de túmulos ou huaqueiros, como são chamados os caçadores de tesouros no
Peru.
Múmia do Cemitério de Chauchilla em Nazca Peru – 2014
Em
meio a um grande deserto, onde se chove apenas uma vez no ano por alguns
minutos, esse povo sobreviveu e deixou um legado. E como sobreviver sem água no
deserto? Os Nazcas, fizeram canais subterrâneos de água com conexão a trechos
de rios que estavam a 300 quilômetros de distância, ou até mesmo buscavam
recursos hídricos nos Andes nevados as 500 quilômetros, e por esses canais e aquedutos
como são denominados pelos peruanos, irrigavam suas plantações e tornava
possível a vida em meio a um deserto.
O
mais impressionante, foi visitar a pirâmide de Cauachi, o maior centro
cerimonial da América com 24 quilômetros quadrados de sítio de histórico. Uma
grande pirâmide feita de tijolos no meio do deserto, que está sendo recuperada
graças ao trabalho de arqueólogos italianos e o empenho do governo peruano. No
passado, acredita-se que em Cacuachi, eram realizadas cerimônias de sacrifícios
humanos para garantir boas colheitas e vitórias em caso de guerra. A comprovação
dessa versão se deu por causa das descobertas com as escavações. Jarros antigos
com resíduos de sangue e cabeças encontradas sem o corpo, em recintos restritos
aos xamãs, confirmam essa hipótese.
Colinas das Linhas de Nazca – Peru – 2014
Nazca
me encantou, pela sua história, mistérios e paisagem. Paisagem formada pela
morfologia do espaço, pelas suas características topográficas e geográficas.
Uma paisagem formada também por seus sons, suas texturas e cores. Além disso, paisagens
que receberam valorações, simbologias, significações na estruturação das
relações humanas, carregando conjuntos de mentalidades, mitologias. As paisagens
são bens de valor inestimável aos povos por estarem na base de suas vidas.
Nazca
é um exemplo de sustentabilidade, de turismo histórico e de preservação
patrimonial. Mais do que apenas lembranças do passado, o patrimônio cultural é
o elemento central que garante a manutenção das comunidades ao longo do tempo,
transmitindo, de geração em geração, os princípios fundamentais de sua cultura.
É o que nos ajuda a aprender quem somos, como nos tornamos e para onde vamos.                     
     

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098

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