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Trilhando a História

Quilombo do Piolho, resistência afro no Vale do Guaporé

O
Quilombo do Piolho era constituído por africanos e crioulos, índios e caborés,
fugidos das Novas Minas das lavras de Mato Grosso, onde eram escravos. O reduto
abrigava uma população de quase trezentas pessoas governadas por José Piolho,
substituído, após a sua morte, por sua mulher Tereza, intitulada de Rainha
Viúva.

Esta
é uma homenagem à Teresa de Benguela, mas também às Marias, Tia Felicidade,
Mariana Crioula, Zeferina e muitas outras quilombolas que lutaram heroicamente
pela libertação do povo negro.
Teresa
de Benguela foi uma líder do quilombo de Quariterê, no Mato Grosso, não se sabe
se africana ou brasileira. Dizem que liderou um levante de negros e índios,
instalando-se próximo a Cuiabá, não muito longe da fronteira com a atual
Bolívia. Durante décadas, Teresa esteve à frente do quilombo, o qual sobreviveu
até 1770, século XVIII.
No
período colonial e pós-colonial no Brasil, os quilombos, espaços de resistência
de homens e mulheres negros, reuniam milhares de habitantes, dentre eles
negros/as, indígenas e brancos pobres. Estes habitantes eram denominados de
quilombolas ou mocambeiros. Estes termos aparecem na documentação desde o
século XVI.
O quilombo mais conhecido entre nós é o de Palmares, localizado na Serra da
Barriga, em Alagoas.
Este quilombo é considerado por muitos especialistas um
“estado africano no Brasil”, por outros é considerado a “República de Palmares”
devido sua extensão territorial. Seu líder Zumbi dos Palmares foi decapitado,
no entanto a historiografia não sabe precisar ao certo como se deu sua morte.
O
que sabemos é que Zumbi faleceu no dia 20 de novembro de 1695. Por isso, o dia
da Consciência Negra é comemorado nesta data, com a finalidade de homenagear
toda a população negra que lutou bravamente pela libertação do açoite, que
liderou levantes em busca da liberdade e que construiu o patrimônio social e
cultural brasileiro.

As
atividades dos Quilombolas se resumiam em caçar, pescar, derrubar mato, fazer
roça, plantar e colher, criar aves, fabricar aves, produzir mel e guerrear com
os índios cabixis, por causa de lhes roubarem as mulheres.

O
Governo Souza Coutinho, pressionado pela corte, exigia dos mineradores o
aumento de produção, esta decaia por falta de braços para o trabalho. Os
escravos africanos importados de São Paulo, São Vicente e do Rio de Janeiro,
reduziam-se mortos pelas endemias, fugindo para as malocas de Chiquitos e
Missões Espanholas ou sumindo simplesmente sem deixar vestígios.
O
problema da falta de braçais se agravava, então em reunião promovida pelos
proprietários de minerações e o Governador, ficou deliberado a organização de
uma Bandeira para capturar os escravos fugitivos. As despesas seriam divididas
entre os mineradores, o Senado da Câmara e o Governador. O comando da Bandeira
foi dado ao Sargento-MOR João Leme do Prado, que escolheu como itinerário, as
cabeceiras dois rios Galerinhas, Galera, Taquara, Piolhinho e Pedra, para
alcançar o quilombo, tendo por guia um escravo aprisionado que, sob tortura,
informara a existência do mesmo. A Bandeira era composta de mais de trinta
homens. Cautelosa, deslocando-se vagarosamente, procurando pistas e sinais dos
fugitivos, passou um mês para atingir as cercarias do quilombo. Aproximaram-se
ao anoitecer, organizando-se em formação de leque, até cercar completamente o
povoado, passaram a noite em suas posições, executando o assalto ao amanhecer,
surpreendendo totalmente os seus habitantes, que apenas esboçam uma mínima
reação, sendo mortos, feridos e aprisionados.

Os
homens foram concentrados em baixo de uma árvore, sob a mira dos bacamartes, os
mortos enterrados, os feridos medicados e as mulheres possuídas pelos
sertanistas, como recompensa e presa de guerra. A rainha Teresa de Benguela,
após alguns dias, morria de inanição, pois indignada, deixou de se alimentar,
ante os vexames, humilhações e desrespeito que fora submetida.

A
Bandeira, após averiguar as redondezas em busca de ouro, regressou a Vila Bela,
onde entrou triunfalmente, sendo recebida pelo Governador, altas autoridades e
senhores e proprietários de minas. Após a cerimônia de tortura dos prisioneiros
no pelourinho, o corte de uma das orelhas e marcações da letra “F”, na espádua,
com ferro em brasa, os escravos foram entregues aos seus donos e à noite houve
baile de gala nos salões do Palácio dos Capitães Generais, em regozijo pela
vitória alcançada. Era o ano de 1770. O exemplo do bárbaro espetáculo não
surtiu o efeito esperado, os escravos continuaram a fugir e novos quilombos
foram organizados, entre os quais destacaram-se os Mutuca.

Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098 

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