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Trilhando a História

Rondon e Rondônia:100 anos das Linhas Telegráficas

           “Atacado pelos índios, Rondon tem
seu rosto riscado por uma flecha. Um oficial grita: é uma vergonha se o
Exército não der um corretivo exemplar àqueles selvagens. Rondon corta-lhe a
palavra: ‘Quem representa o exército aqui sou eu, e o Exército não veio aqui
fazer guerras. Os nambikuára não sabem que a nossa missão é de paz. Se esta
terra fosse vossa e alguém visse roubá-la, ainda por cima, vos desses tiros, o
que é que os senhores fariam apesar de civilizados? ’
       Mão firme e palavras como estas é que
disciplinam a tropa. ” (GOMES, Emmanoel, 2012 :130)


Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon.
O empenho e a
atuação do Marechal Cândido Mariano da Silva Rondon, foi fundamental para
revelar aos centros “políticos e desenvolvidos” do Brasil uma natureza
fantástica, localizada no longínquo mundo amazônico do início do século XX,
palco de outras inúmeras aventuras e personagens que desafiaram as adversidades
que a floresta impõe aos invasores.
Árvores gigantescas
e retorcidas, rios, lagos, cachoeiras, animais, mitos e lendas que
descortinaram uma realidade cultural profunda com temperos, aromas exóticos e
sedutores quase completamente desconhecidos pelo povo brasileiro.
Enganam-se os que
associam à Comissão Rondon somente a construção de uma linha telegráfica entre
Cuiabá, capital do Mato Grosso e Santo Antônio das Cachoeiras, localidade até
então inconveniente para ocupação humana.
Derrubada de árvores para abrir caminhos as Linhas Telegráficas – 1913
Alguns, ainda
seduzidos por pobres polêmicas, buscam diminuir a trajetória de Cândido Rondon
focando sua atuação como “matador de índios ou protetor dos índios”. Afirmaria,
com toda tranquilidade, que esse é o debate pobre e fútil sobre nosso maior
personagem que serve somente para ridicularizar que o promove. Rondon liderou
uma expedição épica, inimaginável, composta por profissionais com grande
experiência e várias especialidades que desenvolveram estudos na área da
geologia, botânica, cartografia, topografia e geografia, além de estudos sobre
as nossas fronteiras, produzindo farto material sobre essa região da Amazônia.
A destemida
expedição de Cândido Rondon deve, no mínimo, compor o cenário das grandes
expedições filosóficas e científicas que percorreram o interior do Brasil e os
rios amazônicos a partir do século XVIII. Condamine, Alexandre Rodrigues
Ferreira, os austríacos Spix e Martius, o barão de Langsdorf, os ingleses Bates
e Wallace, Dr. João Severiano da Fonseca e mais recentemente Claude Lévi
Strauss compõem parte dessa galeria de grandes exploradores e pesquisadores.
Rondon na região fronteira entre Mato Grosso e Rondônia
Rondon foi muito
além destes, pois carregava a missão de integrar um território e suas gentes ao
restante do Brasil. Foi muito além das questões telegráficas e de fronteiras,
dos estudos dos três reinos naturais: a fauna, a flora e o mineral. Rondon foi
além das tentativas de integração dos povos que viviam em um mundo abandonado e
esquecido na escuridão das florestas chuvosas, quentes e úmidas. Ele levou e
representou os valores de uma pátria, carregou em si um Brasil inexistente na
maior parte de seus gestos o que havia de melhor em nosso país naquele momento.
É tarefa complicada para qualquer historiador encontrar um brasileiro com
tamanha envergadura, espírito cívico, disposição e coragem.
Cândido Rondon não
se contentou em revelar ao mundo as “Terras de Rondônia” como afirmou Roquete
Pinto ou acompanhar o ex presidente americano Roosevelt em sua expedição a
nossa região do atual estado de Rondônia. Ele percorreu a maior parte do
território nacional em missões que somente os “homens gigantes” enfrentavam.
Por isso, os mesmo se destacou nacionalmente e internacionalmente por suas
preocupações com os povos indígenas, que sofriam constantes massacres sem a
mínima atuação do Estado em seu socorro. Como criador do Serviço de Proteção ao
Índio – SPI em 1910, instituição que se transformou em FUNAI em 1967, Fundação
Nacional do Índio, Rondon procurou atuar na proteção e defesa dos povos e
culturas indígenas.
Foto retirada do livro do historiador Emanuel Pontes Pinto
Cândido Rondon é
indiscutivelmente o maior sertanista brasileiro de toda nossa história, é esse
o foco que deveríamos investigar, pois sua atuação ainda ecoa sobre todos nós
que moramos na porção ocidental do Brasil. A maioria dos estudos feitos sobre
nosso mais conhecido personagem histórico nos informa sobre sua preocupação em
preservar a cultura e as tribos indígenas.
Se houve conflitos,
precisamos lembrar que Rondon atuou em uma época onde a cultura existente
pregava uma lógica desenvolvimentista que elegia os povos indígenas como
inimigos ou empecilho ao desenvolvimento urbano e “civilizado” da época, um
período onde era comum crer na máxima: “índio bom é índio morto”. Rondon foi um
verdadeiro brasileiro, em suas veias o sangue índio era evidente, sua brasilidade
era enraizada ao tempero e ritmo de sua gente, é contra a lógica de genocídio
que ele atua e milita. Seu ideal é o de um militar das “grandes causas
humanitárias”. Em função dessa realidade, Rondon é um dos poucos personagens
“oficiais” da nossa história que realmente merece ser promovido ao panteão de
grande herói nacional.

RONDON, SUA OBRA E HISTÓRIA.
Cândido Mariano da
Silva Rondon teve sua origem humilde. Filho de um tratador de animais,
descendendo de espanhóis e índios terenas, de bandeirante, e bororos,
agigantando-se em nossa história, destacando-se como militar, pacificador,
cientista, construtor de estradas, de linhas telegráficas e inúmeros outros
serviços prestados ao País. Rondon constituiu-se um símbolo da vontade humana,
norteado pela religião que abraçou, baseada no amor à humanidade, tendo como
seu lema: “morrer se preciso for, matar nunca”.
Nasceu Cândido
Mariano da Silva Rondon a 5 de maio de 1865 na Sesmaria de Morro Redondo, nos
Campos de Dourados, Estado do Mato Grosso, filho de Cândido Mariano da Silva e
de sua esposa Dona Claudina Evangelista. Anos depois de seu nascimento
acrescentou ao seu nome o sobrenome de seu tio e padrinho, Manuel Rondon, com a
devida autorização do Ministério da Guerra.
Rondon em contato com índios entre Mato Grosso e Rondônia.
Graças a seu
esforço e à sua capacidade nos estudos, o jovem natural de Campos de Mimoso,
aos sete anos foi conduzido pelo tio a Cuiabá, iniciando seus estudos no Liceu
Cuiabano e, já aos dezesseis anos, conseguiu um lugar de Professor do Ensino
Primário na mesma instituição de ensino. Porém, seu espírito inquieto desejava
maior dinâmica, o moço tinha vontade de ingressar na carreira militar e eis que
em 26 de novembro de 1881 integrou-se no 3° Regimento de Artilharia à Cavalo e
logo a seguir passou a frequentar a Escola Superior de Guerra, na Capital
Federal. Figurou desde logo nos quadros de honra da Escola e pelo seu valor, já
como 2° Tenente foi convidado para ministrar, na própria Escola, as cadeiras de
Astronomia e Mecânica Racional.
Estação Telegráfica em Jaru – Rondônia
Rondon, a exemplo
de uma lista imensa de outros sertanistas, demonstrou incrível coragem e
determinação ao atuar em regiões tão inóspitas no interior do Brasil, deve ser
citado ao lado de Antônio Rolim de Moura Tavares, primeiro governante da
Capitania do Mato Grosso. Domingos Sambucet, Engenheiro que iniciou as obras do
Real Forte Príncipe da Beira e faleceu de malária. Ricardo Franco de Almeida
Serra, Engenheiro que trabalhou no Real Forte Príncipe da Beira após o
falecimento de Sambucet. Francisco de Melo Palheta, bandeirante que introduziu
as primeiras mudas de café no Brasil e percorreu o trajeto entre Belém do Pará
e Vila Bela da Santíssima Trindade no mato Grosso em meados do século XVII.
Luis de Albuquerque Melo Pereira e Cáceres, quarto Governador da Capitania do
Mato Grosso, foi na sua gestão que se construiu o Forte Príncipe da Beira.
Trabalhadores dos seringais e da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré. Francisco e
Apoena Meireles, grandes sertanistas e indigenistas.
Rondon em trabalho na demarcação de fronteiras na Amazônia
Entre os vários
títulos e homenagens, Marechal Rondon foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz no
ano de 1925. O propositor de tal homenagem foi nada mais e nada menos que o
maior físico da história da humanidade, Albert Einstein. Mais tarde, na década
de 50, foi indicado novamente.
Nos anos de 1892 e
1898 ajudou a construir as linhas telegráficas de Mato Grosso a Goiás. Entre
1900 e 1906 dirigiu a construção de mais uma linha telegráfica, ligando Cuiabá
e Corumbá, alcançando as fronteiras do Paraguai e Bolívia. No início do século
XX encontrou as ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, uma das maiores
relíquias históricas de Rondônia. Em 1907, no posto de major do Corpo de
Engenheiros Militares, foi nomeado chefe da comissão que deveria construir a
linha telegráfica amazônica, e que foi denominada “Comissão Rondon”. Seus
trabalhos desenvolveram-se de 1907 a 1915.
Atuação do Serviço de Proteção ao Índio – 1911
Em 1910 organizou e
passou a dirigir o Serviço de Proteção aos Índios (SPI), criado em 7 de
setembro de 1910. Em 12 de outubro de 1911 inaugurou a estação telegráfica de
Vilhena, na fronteira do estado do Mato Grosso e Rondônia. Em 1914 participou
da denominada expedição Roosevelt-Rondon, junto com o ex-presidente dos Estados
Unidos da América, Theodore Roosevelt. Realizando novos estudos e descobertas
na região. Durante o ano de 1914 a Comissão Rondon construiu em oito meses, 372
km de linhas e cinco estações: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente
Pena, Jaru e Ariquemes. No dia 1° de janeiro de 1915 inaugurou a estação
telegráfica de Santo Antônio do Madeira, concluindo a gigantesca missão que lhe
fora conferida.
Marechal Rondon – 1930
Por tantos e
inúmeros feitos, em 5 de maio de 1955, data de seu aniversário de 90 anos,
recebeu o título de Marechal do Exército Brasileiro concedido pelo Congresso
Nacional. Homenageando o velho Marechal, em 17 de fevereiro de 1956, o
Território Federal do Guaporé teve seu nome alterado para Território Federal de
Rondônia. O grande líder e “cacique branco” como era denominado por alguns
índios, veio a falecer no Rio de Janeiro, aos 92 anos, em 19 de janeiro de
1958. 
Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098

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