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Rondônia

FESTA DO DIVINO – João, religioso “desde o princípio”, caminha em Surpresa levando fé em romaria

Mestre de foliões, encarregado da coroa, encarregado do batelão e puxador de reza. São as atribuições descritas por João Gomes Lopes, de 70 anos, seguidor do Divino Espírito Santo desde menino.

Durante três dias, pelas ruas de Surpresa, distrito de Guajará-Mirim, entrando nas casas e barcos que reivindicaram orações, João puxa cânticos de louvor e faz orações. Nesse ritual, em que entra tocando violão, o acompanham cantando os foliões – jovens cantores, de 8 a 14 anos, que usam lenços brancos amarrados embaixo do queixo.

Ele entra nas residências à frente do cortejo de romeiros juntamente com o encarregado da bandeira do Divino e o encarregado da coroa, entoando com os demais os cânticos de chegada. Donos das casas fazem doações para os festejos nos dias finais da festa – dinheiro, pato, galinha, porco, animais que são abatidos para a alimentação da tripulação do barco e dos visitantes. Ele ainda oferecem lanche ao grupo antes das rezas.

“Desde o princípio”, responde João ao ser indagado sobre desde quando é religioso. Nascido em maio, mês “mais lindo do ano, mês de Maria”, João é fervoroso católico do Divino Espírito Santo. Sua mãe foi imperatriz por duas vezes. Com ela e irmãos mudou-se para Surpresa em 1983 de uma localidade chamada 15 de Novembro, em Vila Bela do Mato Grosso. O pai ficou por lá.

A caminhada aconteceu de 1º a 3 de junho, pela manhã e à tarde, em visitação às casas e barcos ancorados no improvisado porto no rio Guaporé. Fiéis, muitos de joelhos, recebem as bênçãos da sagrada coroa sobre a cabeça, pedindo graças ou agradecendo benefícios.

“Saí como folião aos 11 anos. Vim de baixo e fiz muitas coisas até chegar aqui”, disse João Gomes, que se sente realizado em participar da romaria do Divino. Há seis anos ele é mestre de foliões, função que consiste em tocar o violão e orientar os foliões nos cânticos.

Ele saiu de casa no dia 7 de abril e voltou no dia 31 de maio, quando o batelão com a coroa retorna da peregrinação de 45 dias nas águas do Guaporé, levando fé às comunidades ribeirinhas. Com ele vão os jovens seguidores do Divino Espírito Santo.

“É uma responsabilidade muito grande sair com as crianças, uma coisa muito séria. Hoje tem que ter autorização do juiz, do conselho tutelar e dos pais. E se o colégio onde estudam não liberar, não pode ir”, contou João. “Se acontece alguma coisa com eles, o complicado sou eu”, reforçou.

Membro da Irmandade do Divino Espírito Santo há 14 anos, o mestre de foliões admite que o sacrifício é grande. “É uma caminhada longa, a gente passa por diversas comunidades e cidades”, lembrou.

Com voz mansa e olhos brilhantes, conclui a conversa para atender ao chamado do dono da casa, afirmando que “quem tem fé nesse símbolo do Divino Espírito Santo (a coroa) pode contar que terá sempre luz iluminando os passos e a caminhada dele”.

Fonte: DECOM

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