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Trilhando a História

Porto Velho, faces de uma história

Cidade de Porto Velho capital de Rondônia, década de 1950.
 “Nascestes ao calor das oficinas do Parque da Madeira
Mamoré, pela forja dos bravos pioneiros, imbuídos de coragem e fé”.
Esse trecho é parte do hino de Porto Velho, letra de C.
Feitosa, hino que talvez poucos nascidos em Porto Velho teriam conhecimento.
Por isso, lembrar da instalação de administrativa de nossa cidade é tão
importante. São nessas datas que levamos os cidadãos de Rondônia a conhecerem
um pouco mais de nossa história, e assim refletir sobre a história de nossos
pioneiros.
Pátio de obras da Estrada de Ferro em 1909.
Com a construção do Centro Administrativo da empresa
construtora da ferrovia no antigo Porto Velho Militar, logo nas imediações os
trabalhadores iniciaram a construção de suas casas para o lado que dava para
Santo Antônio. Em 1913 criava-se a Vila de Porto Velho, e já no dia 2 de
outubro de 1914 era publicada a lei número 757, criando o município de Porto
Velho. Com o decreto assinado pelo Dr. Jonathas Pedrosa, governador do Estado
do Amazonas, no dia 24 de janeiro de 1915, instala-se solenemente, e era
considerado município autônomo, sendo o seu superintendente (prefeito) o Major
do Exército Fernando Guapindáia de Souza Brejense, e intendentes, e suplentes,
José Jorge e Braga Vieira, Luziano Barreto, Manoel Félix de Campos, Antônio
Sampaio, José Camargo Achiles Reis, Alderico Castilho, José Pontes e como
secretário, Sr. Manoel Pires de Castro.
Dr. Jonathas Pedrosa, governador do Estado do Amazonas
A cidade na opinião de Oswaldo Cruz era “um cenário
desordenado” de 800 habitantes. Todos os barracos eram de madeira, inclusive os
grandes barracões da companhia construtora que ficavam sobre pilares de
alvenaria e cobertura de telhas francesas; outros eram cobertos com zinco e
sobre esteios de quariquara ou itaúba, preferencialmente, sendo a grande
maioria improvisadas cabanas de palha. Enquanto isso no Clube Internacional
(hoje Ferroviário) mulheres e homens dançavam o fox ao son de jazz; rubicundos
ingleses vestidos de branco, a beber uísque; alemães ingênuos e sorridentes,
servindo chopp com avidez; francesas de Marselha, com admirável eroísmo profissional,
sorrindo acintosas e convidativas aos peões.
Avenida Presidente Dutra com Sete de Setembro.
O PRIMEIRO PREFEITO
O governo de Guapindaia foi marcado por uma série de
desentendimentos com os administradores da Estrada de Ferro Madeira Mamoré,
pois a ferrovia gozava de isenção de impostos estaduais e municipais, além de
ser detentora de grandes porções de terras destinadas ao uso da ferrovia.
Major Fernando Guapindaia
Como anteriormente a palavra do superintendente da
Estrada de Ferro era lei, sendo que até a distribuição de lotes para a
construção era, no entender dos administradores da ferrovia, da sua alçada, o
major Guapindaia sentiu-se ferido em seus brios naturalmente reagindo e tendo
como resposta inicial o cancelamento “ do passe grátis” que lhe fornecia a
Madeira Mamoré, além de ser convidado a se retirar do prédio em que se
instalara a prefeitura (em frente ao Mercado Central), bem como da casa onde
morava e que pertencia à estrada de ferro.
Complexo da Estrada de Ferro Madeira Mamoré em Porto Velho
Guapindaia continuou sua investida contra os
ferroviários, proibindo a retirada de dormentes e lenha dos locais que ele julgava
estar de fora dos limites concedidos à ferrovia.
Avenida Sete de Setembro em Porto Velho
Tal medida gerou revolta, não somente nos chefes
ferroviários, mas também dos que viviam de empreiteiras na extração de madeira,
tendo os advogados da companhia entrado com recursos e, ao mesmo tempo, pressionando
o superintendente para uma prestação de constas.
O ALAMBRADO
Praça Jonathas Pedrosa entre Sete de Setembro e Barão do Rio Branco
A intendência aprovou lei autorizando o
superintendente  a dar nomes as ruas,
sendo chamada de Avenida Divisória a que separava as terras da companhia das
terras do município, que é a atual Av. Presidente Dutra, e nela  os ferroviários construíram um alambrado
separando as terras da Madeora-Mamoré. As outras ruas foram denominadas Sete de
Setembro, Rio Branco, Floriano Peixoto e Pedro II, embora algumas fossem apenas
caminhos tortuosos. Em 1919, Guapindaia tentou eleger-se prefeito de Porto
Velho, porém, não era pessoa grata da Madeira-Mamoré e, embora fosse apoiado
pelo Dr. Joaquim Tanajura, foi derrotado pelo Padre Dr. Raimundo Oliveira. O
Governo de Guapindaia o primeiro de Porto Velho, foi de 24 de janeiro de 1915 a
31 de dezembro de 1916, quando foi empossado o Dr. Joaquim Tanajura, eleito
para o triênio de 1917 a 1919.     
Aleks Palitot
Historiador reconhecido pelo MEC pela portaria n° 387/87
Diploma n° 483/2007, Livro 001, Folha 098

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