O clima político em Cacoal esquentou antes mesmo da troca oficial de comando na Prefeitura. O indício de confronto voltou a aparecer e, desta vez, de forma mais explícita.
Horas antes de assumir o cargo, o vice-prefeito Tony Pablo tomou uma decisão que gerou forte repercussão: mandou cancelar um evento de inscrições do programa Minha Casa, Minha Vida, que seria conduzido pelo então prefeito Adailton Fúria como um de seus últimos atos à frente do município.
A justificativa apresentada veio em tom duro. Em vídeo divulgado nas redes sociais, Tony Pablo afirmou que a Procuradoria Geral do Município havia identificado irregularidades no processo e declarou nulas as inscrições do projeto, que prevê a entrega de mais de 270 unidades habitacionais em Cacoal. Na gravação, ele ainda afirmou que não repetiria erros de “governos anteriores”, em uma fala que foi interpretada como recado direto.
O detalhe que ampliou a tensão foi o timing. Quando fez o anúncio, Tony Pablo ainda não havia assumido oficialmente a Prefeitura.
Pouco depois, por volta do meio-dia desta quinta-feira, Fúria formalizou sua renúncia ao cargo para disputar o Governo de Rondônia. A saída já era esperada, mas o ambiente político deixou de ser de transição tranquila para ganhar contornos de desconfiança.
Mesmo após o episódio, Tony Pablo divulgou um novo vídeo garantindo apoio à pré-candidatura de Fúria ao governo estadual. Ainda assim, nos bastidores, a relação entre os dois passou a ser observada com cautela.
O histórico recente também alimenta dúvidas. Tony Pablo já havia causado desconforto ao se aproximar de adversários políticos de Fúria, como o ex-prefeito Hildon Chaves e o deputado estadual Cirone Deiró, ambos vistos como concorrentes no tabuleiro político regional.
Um interlocutor da região, conhecedor da realidade de Cacoal, afirmou que Tony Pablo tem personalidade forte, mas acredita que ele deve atuar como aliado na campanha. A dúvida, no entanto, permanece.
Com um gesto considerado por muitos como um desgaste público logo na largada, a grande pergunta passa a ser inevitável: Fúria terá, de fato, o apoio do novo prefeito da cidade que governou por mais de sete anos e da qual saiu com aprovação superior a 80 por cento?
A resposta deve começar a aparecer nos próximos capítulos dessa relação que, ao que tudo indica, já começou sob tensão.






















