Mesmo diante das constantes fiscalizações e das frequentes prisões registradas nos últimos anos, a prática do furto de energia elétrica continua sendo uma realidade em Porto Velho. Nesta semana, uma operação realizada em um bairro da zona Leste da capital identificou pelo menos 50 imóveis utilizando ligações clandestinas para abastecimento de energia.
A maioria dos casos foi registrada em residências, mas as equipes também encontraram estabelecimentos comerciais operando de forma irregular. Além de configurar crime, a prática gera prejuízos para toda a população, já que parte das perdas acaba impactando os consumidores que mantêm suas contas em dia.
Durante a ação, os técnicos realizaram o corte imediato das ligações clandestinas e retiraram mais de mil metros de cabos utilizados nas conexões ilegais. A dimensão da fraude chamou a atenção das equipes envolvidas na operação.
A Polícia Militar e a Polícia Técnico-Científica (Politec) foram acionadas para acompanhar os trabalhos e registrar as ocorrências. Os responsáveis pelos imóveis flagrados deverão responder criminalmente e também arcar com o pagamento da energia consumida irregularmente durante todo o período em que o desvio ocorreu, além das multas previstas.
De acordo com Daniel Andrade, gerente do Departamento de Combate às Perdas de Energia, a ligação clandestina é considerada furto de energia, crime previsto no artigo 155 do Código Penal, com pena que pode chegar a oito anos de prisão.
Apesar das punições, os números mostram que a prática ainda persiste. Somente nos primeiros meses de 2026, já foram registradas 58 prisões em flagrante relacionadas ao furto de energia. Em 2025, o total chegou a 139 pessoas presas.
Outro fator que tem contribuído para o aumento das fiscalizações são as denúncias feitas por moradores. Muitos consumidores têm procurado informar as autoridades ao perceberem irregularidades na vizinhança, principalmente porque sabem que os prejuízos provocados pelos desvios acabam sendo compartilhados por toda a rede de consumidores.
Além do impacto direto nas contas de energia, o furto também reduz a arrecadação de impostos, recursos que poderiam ser destinados a investimentos em áreas essenciais como saúde, educação, segurança e infraestrutura.
A operação reforça o alerta de que o chamado “gato” de energia não é apenas uma infração administrativa, mas um crime que gera consequências para toda a sociedade.






















