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Acre não tinha tantas mortes na aviação desde 2002, quando 23 pessoas perderam a vida

Segundo o CENIPA, nenhuma documentação da aeronave foi encontrada e o condutor não estava habilitado para operar a avião
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Após 21 anos, o Acre volta a ser impactado por um acidente aéreo. A última tragédia da aviação no estado havia sido no dia 30 de agosto de 2002, quando 23 pessoas morreram na queda do voo 4823 da Rico Linhas Aéreas, o segundo maior desastre aéreo no estado, atrás apenas da queda do DC3 da empresa Cruzeiro do Sul, em 1971, em Sena Madureira, matando 33 pessoas.

É necessário registrar que o último acidente de avião com registro de mortes no Acre aconteceu em 2018, quando uma aeronave experimental decolou de um descampado localizado no município de Rio Branco, caindo logo em seguida com o piloto e um passageiro a bordo, ambos tendo morrido.

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Segundo o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), nenhuma documentação da aeronave foi encontrada e o condutor não estava habilitado para operar a avião. Pois não possuía Certificado de Piloto de Recreio (CPR) ou Certificado de Piloto Desportivo (CPD), bem como não possuía o Certificado Médico de Piloto de Ultraleve (CMPU).

Na manhã deste domingo (29), o Acre viveu a sua mais recente tragédia na aviação, com a queda de um avião de pequeno porte, que explodiu ao cair próximo à pista do Aeroporto Internacional de Rio Branco, matando todas as doze pessoas a bordo – 10 passageiros e 2 tripulantes (piloto e co-piloto), sendo 6 homens, 3 mulheres e 1 criança de um ano e sete meses.

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Pesquisa feita pelo ac24horas – que já rendeu publicação anterior – mostra um histórico de acidentes de maior gravidade registrados no Acre desde a década de 1950, quando a aviação ainda começava no estado. O primeiro registro encontrado na busca feita pela reportagem é de um desastre aéreo ocorrido em Xapuri, no dia 30 de abril de 1951, segundo o jornal oficial da época intitulado O Acre.

No acidente, morreram duas autoridades do território federal do Acre, José Raimundo de Melo e Miguel Gomes Bezerra, junto com o piloto, o tenente Manoel de Souza Fortes. Segundo informou O Acre no dia seguinte à tragédia, o avião Beechcraft-Bonanza, PP HTI “Tarauacá”, do Serviço Aéreo do Governo do Acre, caiu ao chegar a Xapuri após sobrevoar a cidade e bater em uma castanheira.

Segundo o radialista e professor Nader Sarkis, neto de José Raimundo de Melo, com base em relatos da família, o seu avô viria de barco para Xapuri, onde assumiria temporariamente o cargo de prefeito ou de delegado, quando foi avisado de que um avião sairia para a cidade. Como a viagem de subida pelo rio durava cerca de quatro dias, ele teria optado pelo voo fatal.

“Pela história que ouço desde criança, o avião caiu após o piloto fazer um voo rasante sobre a cidade, como maneira de avisar a sua noiva de sua chegada, como era habitual fazer. Após a queda, meu pai, Elias Sarkis, junto com o Afonso Zaire, se deslocou rumo ao lugar do acidente e avistou a fumaça do avião, na região do igarapé Santa Rosa”, explica na publicação anterior do ac24horas.

No dia 9 de julho de 1956, o Acre registrou um novo acidente: um avião C-47 do Correio Aéreo Nacional, da Força Aérea Brasileira, caiu após a decolagem do aeroporto de Rio Branco, matando 4 dos 20 ocupantes. Em publicação do blog Alma Acreana, assinado por Isaac Melo, é possível encontrar uma imagem dessa aeronave que pertencia ao Serviço Postal Militar Brasileiro, iniciado em 1931.

Avião C-47 do Correio Aéreo Nacional, da Força Aérea Brasileira, caiu após a decolagem do Aeroporto de Rio Branco

 

Um dos acidentes aéreos mais lembrados da história da aviação no Acre e o maior em número de vítimas fatais foi a queda do avião DC3, da empresa Cruzeiro do Sul, que viajava de Sena Madureira com destino a Rio Branco quando apresentou problemas no motor, bateu em uma árvore e caiu em um matagal na comunidade Boca do Caeté, dia 28 de setembro de 1971, deixando um trágico saldo de 33 mortos entre passageiros e tripulação.

Entre as vítimas estava o bispo Dom Giocondo Maria Grotti, que à época chefiava a Diocese da Igreja Católica no Acre. Italiano, Grotti havia feito uma visita a Sena Madureira, que havia completado 67 anos de fundação 3 dias antes. No local do episódio, algumas peças do avião ainda podem ser encontradas, como o motor e outros artefatos, onde foi erguida uma capela em homenagem ao religioso.

Destroços do avião DC3, da empresa Cruzeiro do Sul, que viajava de Sena Madureira com destino a Rio Branco

 

Na tarde do dia 23 de fevereiro de 1997, quando o avião monomotor de prefixo PT- RAG decolou do aeroporto de Sena Madureira, bateu na Torre da Rádio Difusora e caiu. Na ocasião estava a bordo a ex-prefeita de Sena Madureira Toinha Vieira, os ex-deputados Zé Vieira e Márcio Bittar e os militares Sargentos Amorim, Major Rocha, Coronel Costa do Corpo de Bombeiros. O piloto, conhecido como Barbinha, não resistiu aos ferimentos e morreu no local (igarapé Cafezal). O acidente ocorreu durante um sobrevoo para registrar a alagação de 1997, que afetou mais de 70% da população.

Em 2002, o Acre registrou mais um grande acidente aéreo, quando o voo 4823 da Rico Linhas Aéreas, que fazia o trecho Cruzeiro do Sul – Tarauacá – Rio Branco, caiu no começo da noite do dia 30 de agosto, sob forte chuva, no momento em que se aproximava do aeroporto da capital acreana. Das 31 pessoas a bordo, 23 morreram, incluindo os 3 tripulantes. Entre as vítimas, estavam políticos, empresários e funcionários públicos.

De acordo com detalhes da Infraero, o EMB 120 Brasília da Rico estava em aproximação a Rio Branco, quando os controladores terrestres permitiram o pouso do voo. A aeronave, em seguida, entrou em uma tempestade e logo depois impactou com a cauda do solo em primeiro lugar, a cerca de 1500 m do aeroporto. A fuselagem quebrou em três seções e um incêndio começou, danificando o avião.

Menos de um ano depois, em 26 de janeiro de 2003, quase que o Acre passa por mais uma tragédia na aviação. Naquele dia, um avião da extinta Vasp decolou de Manaus – AM às 05:25 UTC, com destino a Rio Branco — AC. De acordo com as informações que constam no relatório do CENIPA, as condições meteorológicas no destino indicavam presença de nevoeiro. Na descida, informados pela torre de controle que o campo operava visualmente, a tripulação decidiu pelo pouso.

Na aproximação final para a cabeceira 06, o comandante reportou estar visual com a pista, aguardando confirmação do copiloto, que estava nos comandos da aeronave. Em seguida, o avião chocou-se com uma árvore a 57 pés de altura, que distava cerca de 360 metros da cabeceira e, na sequência, colidiu com o solo a 100 metros da mesma, ainda alinhada, sofrendo colapso dos trens de pouso.

Após o impacto, a aeronave deslizou por cerca de 600 metros, derivando para a esquerda, mantendo-se paralela à pista, sobre terreno gramado, detendo-se na primeira interseção que interceptava a pista. A tripulação procedeu à evacuação de emergência e os seis tripulantes e oitenta e nove passageiros saíram ilesos. O acionamento da equipe contra incêndio foi imediato e a aeronave sofreu danos graves generalizados, que a tornaram economicamente irrecuperável.

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