BR-319: a estrada das promessas eternas e do isolamento que nunca acaba

Para os cerca de 4,3 milhões de habitantes do Amazonas, a realidade permanece cruel: o estado continua isolado por terra do restante do país durante boa parte do ano.

Mais um ano se encerra sob o peso de promessas, juras e garantias que nunca se concretizam. Assim como ocorreu no ano anterior — e nos quase 20 anos passados — o tão aguardado reasfaltamento da BR-319 segue sendo, para milhões de brasileiros, uma obra de ficção.

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Para os cerca de 4,3 milhões de habitantes do Amazonas, a realidade permanece cruel: o estado continua isolado por terra do restante do país durante boa parte do ano. Em 2025, provavelmente, foi batido o recorde histórico de anúncios não cumpridos sobre uma rodovia considerada vital para a integração regional, o abastecimento, a economia e a dignidade de quem vive no Norte do Brasil.

As promessas começaram no mais alto escalão. O próprio Luiz Inácio Lula da Silva garantiu, em diferentes momentos, que a obra sairia do papel. Na sequência, vieram versões sucessivas do ministro dos Transportes, Renan Filho, cada uma com prazos, justificativas e discursos diferentes.

No meio do caminho, parlamentares das bancadas federais do Amazonas, de Rondônia e do Acre acabaram embarcando na narrativa oficial e ajudaram a espalhar a certeza de que o asfalto finalmente voltaria ao chamado Trecho do Meio da BR-319.

A promessa mais recente veio novamente de Renan Filho. Em novembro, o ministro assegurou que a licitação sairia no primeiro semestre de 2026 e que as obras começariam no segundo semestre do mesmo ano. O detalhe, porém, ficou de fora do discurso oficial: basta uma decisão judicial de primeira instância exigindo novos estudos ambientais para que tudo seja paralisado outra vez, como já ocorreu inúmeras vezes.

É justamente esse o ponto central da descrença popular. Enquanto discursos se repetem, nenhuma garantia é definitiva. Nenhum cronograma é blindado. Nenhuma promessa resiste ao primeiro obstáculo jurídico ou burocrático. O resultado é um ciclo perverso de expectativa frustrada, que se renova ano após ano.

Diante desse histórico, a pergunta que ecoa na Amazônia Legal é simples e direta: algum dia a BR-319 será, de fato, reasfaltada?
Depois de décadas de anúncios, recuos e desculpas, a resposta mais honesta talvez seja a mais amarga: só Deus sabe.

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