O Brasil arrecada impostos em um ritmo impressionante. São R$ 157.778 a cada segundo, valor equivalente a uma respiração ou ao tempo de contar até um. Até a tarde deste sábado, dia 24, o país já havia ultrapassado a marca de R$ 327 bilhões arrecadados em tributos, segundo dados do Impostômetro.

Em números redondos, isso significa que entram diariamente nos cofres da União, Estados e Municípios cerca de R$ 13 bilhões e 632 milhões. A cada hora, são R$ 568 milhões e 108 mil; por minuto, R$ 9 milhões e 467 mil; e, a cada segundo, quase R$ 158 mil.
Nesse ritmo, o brasileiro paga, aproximadamente a cada 25 horas, o equivalente ao Orçamento anual do Estado de Rondônia, estimado em R$ 18 bilhões e 400 milhões.
Se a arrecadação mantiver esse mesmo desempenho ao longo do ano, o país pode encerrar dezembro com o maior volume de impostos já arrecadados da história, ultrapassando a marca de R$ 4 trilhões e 900 bilhões. Para efeito de comparação, em 31 de dezembro de 2025, o Impostômetro registrou R$ 3 trilhões e 985 bilhões, o maior valor já alcançado até então. Caso não haja recessão, o montante arrecadado neste ano pode ser cerca de R$ 1 trilhão superior.
Rondônia e Porto Velho também acumulam cifras bilionárias
Na análise regional, os números também chamam atenção. Nos primeiros 24 dias deste mês, Rondônia já havia arrecadado R$ 1 bilhão e 410 milhões em impostos. Isso representa uma média de R$ 58 milhões e 755 mil por dia, R$ 2 milhões e 448 mil por hora, cerca de R$ 40 mil por minuto e R$ 680 por segundo, destinados aos cofres do governo estadual e dos municípios.
Em Porto Velho, o cenário não é diferente. Com mais de R$ 38 milhões arrecadados no mesmo período, a capital registra uma média de quase R$ 1 milhão e 590 mil por dia em tributos pagos pela população.
Muito se arrecada, pouco retorna
Os números reforçam uma realidade conhecida: o Brasil é extremamente eficiente na cobrança de tributos. O país ocupa a 15ª posição mundial entre os que mais arrecadam impostos, considerando a carga tributária imposta à população. No entanto, quando se analisa o retorno desses recursos em forma de serviços públicos, o resultado é frustrante.
Apesar da arrecadação bilionária, o país convive com injustiças sociais profundas, altos índices de pobreza, milhões de pessoas vivendo abaixo da linha da miséria e uma percepção generalizada de piora na qualidade dos serviços públicos, que afeta ricos, classe média e pobres.
IDH baixo e serviços essenciais em colapso
A contradição fica ainda mais evidente quando se observa o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). O Brasil ocupa apenas a 84ª posição no ranking mundial, atrás de países como Namíbia, Zâmbia, São Tomé e Príncipe, Suazilândia e Moçambique — nações que não possuem nem de longe o mesmo peso econômico ou volume de arrecadação do Brasil.
Os reflexos aparecem em áreas essenciais: educação deficiente, saúde pública fragilizada e falta de recursos em setores vitais, como a segurança pública. Tudo isso em um país que pode arrecadar, neste ano, algo próximo de 1 trilhão de dólares em impostos.
Diante desse cenário, a pergunta que permanece é inevitável: como um país tão rico, com arrecadação tão elevada, ainda entrega tão pouco à sua população? A resposta, infelizmente, continua longe de ser satisfatória.





















