Dízimo público é crime e igreja terá que devolver dinheiro de fiéis

Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.

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Redação

ASFALTO DA FÉ
O ditado é o mais antigo que existe: a fé move montanhas — e às vezes, pavimentações inteiras. 


DESCOBERTA
Em Porto Velho, descobriu-se recentemente que não é só com orações que as portas do céu se abrem.

Foto: Reprodução / Inteligência Artificial


DESCOBERTA 2
Máquinas da prefeitura, servidores públicos e massa asfáltica também foram convocados para abrir caminho — literalmente — para o Grande Templo da Assembleia de Deus, no bairro Tiradentes.


DENÚNCIA
Segundo denúncia recolhida pela Ouvidoria do Ministério Público de Rondônia (MP-RO), aquilo que parecia um convênio foi, na verdade, um atalho para o uso indevido de recursos públicos. 


SEM REGISTRO
A secretaria responsável pela infraestrutura de Porto Velho não tem nenhum termo de convênio registrado com a igreja em questão. Ou seja: ou o convênio evaporou, ou nunca existiu.


COMO REPARAR
Para remediar o furto velado (porque estou falando de obra interna com acesso restrito e tudo), firmou-se um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC). 


COMO REPARAR 2
Sob ele, a igreja terá de devolver o valor pago pela massa asfáltica e o frete. Mas aí já estaria tudo certo? Claro que não — sem drama religioso não há salvação. 


CONDIÇÕES
Além disso, a igreja terá que oferecer 20 vagas por dois anos no “Refúgio Canaã” para dependentes químicos. 


CONDIÇÕES 2
Também prover outras 20 vagas por dois anos no “Abrigo Esperança”, para pacientes de outras cidades em tratamento no Hospital do Amor, com hospedagem e alimentação.

Foto: Reprodução / Redes Sociais


PUNIÇÃO
Claro que religiosos tão dedicados às causa do Pai, às vezes pecam e esquecem seus compromissos. Nesse caso, há uma multa fixa de R$ 5.000 se descumprirem o acordo.


SERMÃO
Para este caso, não faltam lições. Transparência se exercita melhor com porta aberta. 


SERMÃO 2
Obras internas com acesso restrito complicam até fé que prega honestidade. Se queria mesmo “obra de Deus”, que fosse visível.


SERMÃO 3
Não basta devolver o prejuízo, há que mostrar arrependimento — as vagas para pessoas vulneráveis funcionam como penitência social. 


DETALHE
Talvez seja o único “sacrifício” real neste caso.


SERMÃO 4
Nem é o caso de se conhecer um pouco sobre química, mas confiança religiosa + poder público, resulta em combinação explosiva. 


ENTENDIMENTO
Sempre existe o risco de alguém “interpretar” que convênios existem quando não existem, ou de haver “favor para o templo” quando o templo deveria ser apenas um beneficiário entre inúmeros cidadãos.


CONFESSIONÁRIO
Nessa questão tem ainda as perguntas que ficam no confessionário. Quando a igreja usou os equipamentos e servidores municipais, alguém achou estranho? Algum fiscal bateu na porta ou pediu documentos?

Foto: Reprodução / Redes Sociais


CONFESSIONÁRIO 2
Como foi calculado o valor a retornar — só o material, o frete… e o valor do trabalho dos funcionários públicos? Ou isso permanece nebuloso?


CONFESSIONÁRIO 3
Quem vai supervisionar o cumprimento das vagas prometidas? E qual será o impacto social real disso — quantas vidas atendidas, quantas famílias ajudadas — muito além da cerimônia de assinatura do TAC?


CONCLUSÃO
Fé, obras — e responsabilidade. No fundo, este caso mostra que fé sem transparência vira desculpa. 


CONCLUSÃO 2
Obras feitas como se fossem um milagre — reaparecendo onde não se esperava — deveriam, sim, ser investigadas. 


CONCLUSÃO 3
E mais: responsabilidade pública exige que instituições religiosas que recebem recursos (direta ou indiretamente) estejam submetidas às mesmas exigências de prestação de contas que qualquer outra instituição.


CONCLUSÃO 4
Porque no final das contas, não é só no milagre que se mete as mãos — às vezes, é no asfalto. E isso alisa demais para quem se diz guardião da honestidade.


FRASE
Ensinar retidão e viver de desvios é o  atalho favorito dos hipócritas.

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