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AMAZÔNIA – Bispo de Porto Velho é destaque no Vaticano por defesa da floresta

Dom Roque falou sobre seu trabalho na Amazônia em uma entrevista veiculada pela agência de comunicação Serviço de Informação Religiosa
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O Arcebispo de Porto Velho, Dom Roque Paloschi, de 61 anos, foi destaque da imprensa italiana nesta última semana, considerado pelos europeus católicos como um “rosto amazônico”, o religioso se empenha na defesa o meio ambiente e principalmente na garantia dos direitos das populações indígenas.

Na cidade de Vicenza, onde realizava uma visita ao bispo Beniamino Pizziol e aos amigos das Ursulinas e do escritório missionário, Dom Roque falou sobre seu trabalho na Amazônia em uma entrevista veiculada pela agência de comunicação Serviço de Informação Religiosa – SIR, órgão vinculado ao Vaticano.

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Dom Roque, por que a Igreja brasileira está tão comprometida com a defesa da Amazônia e seus habitantes?

Porque a encarnação requer respostas concretas. É necessário tornar-se carne com todas as realidades, como Jesus fez.A Igreja deve fazer essa conversão.

Como está a situação na floresta amazônica?

Mais e mais sério. A floresta sempre foi vista como “o jardim atrás da casa”. Parece que seus recursos são infinitos e desejados por muitos estados e multinacionais. Desde a década de 1950, a floresta passou por grandes projetos de desenvolvimento de infra-estrutura. Em particular hoje, as represas feitas pelo governo estão causando muitos danos devido às grandes extensões de água que inundam vastas regiões.

E os povos que moram lá?

Os índios sempre foram vistos como “incapazes” de administrar a floresta e seus recursos. Eles são vistos com preconceito, indiferença, sem respeito. Uma abordagem alimentada pela mídia. No entanto, a Constituição de 1988 é muito avançada quando fala dos direitos dos índios. Antes disso havia leis coloniais. A Constituição reconheceu alguns direitos básicos: respeito à cultura, educação diferenciada, reconhecimento da terra. Todos os direitos que estão sendo gradualmente desmantelados.

Por quê?

Porque os índios são um obstáculo aos projetos de exploração da Amazônia. Eles têm uma concepção diferente da vida, difícil de entender para um ocidental. Aqui, na Europa, o acúmulo de bens era essencial para sobreviver à mudança das estações. Na Amazônia, é a natureza que fornece as necessidades básicas para a vida. É um bem-estar diferente daquele ligado à acumulação.

Mas quando falamos de povos indígenas, a que nos referimos?

Para uma população de um milhão de pessoas. Foram cinco milhões antes da chegada dos europeus. Hoje, apenas na Amazônia brasileira, cerca de 280 grupos étnicos são conhecidos, mas muitos outros vivem isolados na floresta e 130 línguas diferentes. Os índios representam uma grande “biodiversidade” humana.

Uma biodiversidade em perigo?

Sim, a mesma encíclica Laudato fala de “genocídio” de muitos grupos étnicos. A Igreja deve trabalhar para eles, precisamente porque defende a vida em sua totalidade.

O que, então, é o Sínodo Pan da Amazônia a ser realizado em outubro de 2019?

Deve ser dito que o Sínodo já está “atravessando” os planos de exploração da Amazônia. Mas será muito mais do que apenas um documento “ecológico”. O propósito do Sínodo é dar à Igreja um “rosto amazônico”, isto é, uma Igreja solidária, atenta aos pobres, ministerial e que defenda a natureza.

*Com informações Agência SIR

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