O atual cenário de tensão no Oriente Médio, com o Irã sob ataques em meio ao conflito envolvendo Estados Unidos e Israel, acendeu um alerta para o agronegócio de Rondônia. O estado depende fortemente da importação de ureia iraniana, um dos principais fertilizantes utilizados nas lavouras e essencial para manter a produtividade agrícola.
O Irã é um dos maiores produtores globais de ureia e o Brasil depende fortemente das importações desse insumo para atender sua demanda interna. Atualmente, cerca de 85% do consumo brasileiro de fertilizantes nitrogenados vem de fora do país, o que torna o mercado agrícola sensível a crises internacionais e a interrupções no fornecimento.
Segundo levantamento do Observatório da Indústria de Rondônia, da Federação das Indústrias do Estado de Rondônia (Fiero), o estado foi responsável por aproximadamente 65% das importações nacionais de produtos iranianos, principalmente ureia. Ao todo, Rondônia movimentou cerca de US$ 51 milhões em compras do Irã, o equivalente a aproximadamente R$ 275 milhões.
Desse total, mais de US$ 43,5 milhões cerca de R$ 235 milhões correspondem apenas à aquisição de ureia, evidenciando a forte dependência do agronegócio rondoniense desse fertilizante para garantir a competitividade das safras.
A relação comercial entre Rondônia e o Irã não se limita à importação de insumos. O país do Oriente Médio também tem papel relevante como mercado consumidor do milho produzido no estado. Em 2025, 8% de todo o milho em grãos exportado por Rondônia teve o Irã como destino.
Nos primeiros meses de 2026, essa relação comercial se intensificou ainda mais. Dos US$ 21,4 milhões exportados pelo estado no período, cerca de US$ 13 milhões foram direcionados ao mercado iraniano, o que representa mais de 60% das exportações do grão rondoniense.
Com o conflito em andamento e já no 12º dia de guerra, cresce a preocupação sobre a continuidade do abastecimento de fertilizantes ao Brasil e, especialmente, a Rondônia. Diante desse cenário de incerteza, a Fiero recomenda que os produtores intensifiquem a busca por novos fornecedores internacionais.
Entre as alternativas apontadas estão países parceiros como Venezuela, Bolívia, Rússia e Nigéria, que poderiam suprir parte da demanda atualmente atendida pelo Irã e ajudar a garantir a competitividade da produção agrícola rondoniense.
Segundo especialistas do setor, a diversificação de fornecedores é considerada uma estratégia essencial para reduzir riscos e evitar impactos na produção agrícola, especialmente em momentos de instabilidade geopolítica que podem comprometer o fluxo internacional de fertilizantes.





















