Faltam exatamente 197 dias para que o governador Marcos Rocha decida se permanece no cargo até o fim do mandato ou se deixa o Palácio Rio Madeira para disputar uma vaga no Senado Federal — eleição para a qual aparece constantemente entre os favoritos. O prazo, que inclui os 105 dias restantes de 2025 e mais 91 dias até 2 de abril de 2026, representa cerca de seis meses e meio que prometem intensos movimentos nos bastidores da política rondoniense.
Em condições normais, a escolha seria considerada simples e até previsível. No entanto, um fator se tornou o principal obstáculo no cálculo político: a relação estremecida entre Rocha e o vice-governador Sérgio Gonçalves. O rompimento, marcado por acusações de traição — que Gonçalves nega — e pela sua saída da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, nunca foi superado. Desde então, governador e vice não voltaram a conversar.
A crise atinge diretamente não apenas os planos de Rocha, mas também os projetos eleitorais da primeira-dama Luana Rocha, cotada para disputar vaga na Câmara Federal, e do diretor-geral do Detran, Sandro Rocha, que estuda candidatura a deputado estadual. Assumindo o governo em caso de desincompatibilização, Gonçalves teria em mãos um tabuleiro político delicado, e esse cenário gera cautela dentro do grupo governista.
Enquanto isso, Marcos Rocha mantém intensa agenda de trabalho, viajando dentro e fora do Estado e acompanhando o andamento de programas e obras estratégicas. Já Sérgio Gonçalves segue agenda própria, visitando municípios e concedendo entrevistas a rádios, TVs e portais de notícias, sempre evitando tratar da relação com o governador. Em suas aparições públicas, também rejeita boatos de que promoveria uma “limpa” no quadro de cargos comissionados caso assuma o comando do Estado.
O clima, a menos de sete meses da decisão final, é de total indefinição. Rocha permanece ou renuncia para disputar o Senado, assumindo os riscos de entregar o governo ao vice com quem rompeu? A resposta, hoje, é incerta — tão incerta que, como dizem nos bastidores, “nem a Mãe Dinah acertaria essa previsão”.
O fato é que o relógio político já começou a correr, e as próximas semanas serão decisivas para definir o destino do governador, do vice e do próprio cenário eleitoral de Rondônia.























