Muito antes das convenções partidárias e bem antes de o calendário eleitoral autorizar oficialmente o início das campanhas, a sucessão ao Governo de Rondônia já está nas ruas. Os dois principais nomes colocados até agora na disputa, Adailton Fúria e Marcos Rogério, atuam como se a corrida pelo Palácio Rio Madeira/CPA estivesse a todo vapor.
Ambos percorrem o Estado com agendas intensas. Oficialmente, não pedem votos, mas prestam contas, destacam realizações e apresentam projetos futuros na prática, um ensaio claro de campanha, ainda que sem o tom explícito permitido apenas mais à frente pela legislação eleitoral.
Adailton Fúria, prefeito de Cacoal, tem apostado em forte presença popular. Na semana passada, participou de grandes eventos com apresentações e manobras de carros, que superlotaram locais em Guajará-Mirim e Candeias do Jamari. Além disso, tem concedido entrevistas a emissoras de rádio, televisão e sites, destacando os avanços de Cacoal, hoje frequentemente citada como a melhor cidade da Região Norte para se viver.
Nos bastidores, Fúria também intensifica conversas com lideranças de Porto Velho, de onde deve sair o nome de seu vice. Comentários de bastidores apontam que o escolhido já teria sido convidado e aceitado, mas o assunto segue restrito, tratado apenas “da porta para dentro”.
Já Marcos Rogério adota uma estratégia mais institucional. O senador percorre municípios do interior visitando prefeitos, vereadores e lideranças políticas, destacando as emendas parlamentares que destinou ao Estado — mais de R$ 200 milhões, segundo ele. Em muitas dessas agendas, aparece ao lado do deputado federal Fernando Máximo, que é cotado como candidato ao Senado, formando uma dobradinha dentro do PL.
Enquanto Rogério trabalha sua pré-candidatura ao Governo, o partido ainda não discute publicamente o nome do vice. Paralelamente, surgem ruídos internos. O empresário do agronegócio Bruno Scheid, outro nome do PL ao Senado e escolha direta do ex-presidente Jair Bolsonaro, tem demonstrado insatisfação com Marcos Rogério. Scheid cobra publicamente uma posição do partido e do senador em relação à expulsão de um vereador acusado de ligação com o PCC, tema que tem gerado desgaste interno.
Com o governador Marcos Rocha fora da disputa pela sucessão direta, o cenário segue em ebulição. Mesmo antes da largada oficial, Rondônia já vive um clima de campanha antecipada, com agendas cheias, discursos calculados e articulações políticas que indicam que a eleição de 2026 começou bem antes do previsto.





















