A casta dos supersalários e o abismo social brasileiro

Estamos falando de cerca de 10 mil “sortudos” que, graças aos conhecidos penduricalhos, embolsam supersalários que atingem cifras absurdas.

Existe, no Brasil, um grupo que parece viver acima do bem e do mal. Um segmento especial, protegido, blindado e sustentado pela opulência do dinheiro público. São aposentados e pensionistas que, mensalmente, recebem valores muito acima do teto constitucional, fixado hoje em R$ 46.300 o máximo permitido por lei, equivalente ao salário de um ministro do Supremo Tribunal Federal.

Estamos falando de cerca de 10 mil “sortudos” que, graças aos conhecidos penduricalhos, embolsam supersalários que atingem cifras absurdas. Todos, sem exceção, ganham muito além do que a Constituição permite. E isso gera um rombo bilionário.

Somente esse grupo restrito de 10 mil aposentados e pensionistas custa aproximadamente R$ 4 bilhões por ano aos cofres públicos. Se incluirmos outros cerca de 30 mil que também recebem acima do teto, o impacto salta para algo em torno de R$ 20 bilhões anuais. Mas fiquemos apenas nos 10 mil — já é mais do que suficiente para causar espanto e indignação.

Para se ter uma ideia do que esse dinheiro representa, basta uma comparação simples. O custo médio para construir uma escola de qualidade razoável, com capacidade para 360 alunos em dois turnos, cerca de 400 metros quadrados e preço médio de R$ 2.500 por metro quadrado, gira hoje em torno de R$ 1 milhão. Com R$ 4 bilhões por ano, seria possível construir 4 mil escolas novas, capazes de atender aproximadamente 1 milhão e 440 mil estudantes em todo o país.

Outro exemplo ainda mais gritante vem de Porto Velho. Com cerca de R$ 39 milhões, a Prefeitura adquiriu o Hospital das Clínicas, que se tornará o primeiro hospital universitário e municipal da história da capital. Com os mesmos R$ 4 bilhões gastos, em apenas um ano, com os supersalários desse pequeno grupo de aposentados e pensionistas, seria possível comprar 102 hospitais do mesmo porte, cada um com cerca de 80 leitos. Estamos falando de mais de 8 mil leitos hospitalares que poderiam estar atendendo a população.

Essa realidade ajuda a explicar, em grande parte, o abismo social que domina o Brasil. Uma casta riquíssima, formada por um número ínfimo de brasileiros, vive às custas do dinheiro público enquanto milhões carecem de escolas, hospitais, saneamento e serviços básicos.

E o mais revoltante: tente reduzir os ganhos desse grupo em apenas R$ 10 para ver o que acontece. A reação é imediata, feroz, judicializada e, quase sempre, vitoriosa. O sistema se move rápido para proteger privilégios — mas segue lento, ou quase imóvel, quando se trata de garantir dignidade à maioria da população.

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