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A lógica está invertida. No Brasil de hoje, o apoio parece caminhar na direção errada: aos bandidos, tudo; às vítimas e às pessoas comuns, quase nada — ou, muitas vezes, apenas o peso mais duro da lei. Vale a máxima silenciosa que domina o país: tudo para os amigos, migalhas para os outros.

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Basta circular pelas ruas de muitas cidades, como ocorre diariamente em Porto Velho, para enxergar o contraste. Jovens vestindo uniformes esportivos param nos sinais de trânsito pedindo ajuda. Tentam arrecadar recursos para representar suas cidades e estados em competições nacionais e até internacionais. O apoio do poder público, quando existe, é limitado, burocrático, lento e insuficiente. Buscar auxílio diretamente da população torna-se o caminho mais curto — ainda que exponha esses jovens ao constrangimento público.

Enquanto isso, em empresas, fazendas e canteiros de obras espalhados pelo país, milhares de jovens trabalham de sol a sol para ganhar pouco mais de um salário mínimo. Muitos sonham com oportunidades, incentivos, bolsas ou políticas públicas que valorizem o esforço e o mérito. Outros passam a vida inteira sobrevivendo com o mínimo, dependendo parcialmente de programas sociais, mas ainda assim preferem o sacrifício diário a viver fora da lei.

O contraste se torna ainda mais chocante quando se observa a política adotada em alguns estados. No Rio Grande do Norte — e também em locais como Rio Grande do Sul e Minas Gerais — menores criminosos, agora suavemente chamados de “infratores”, recebem apoio financeiro direto do Estado. Na gestão da governadora Fátima Bezerra, por exemplo, um menor que tenha cumprido uma chamada “medida socioeducativa” pode receber R$ 500 por mês. A exigência é simples: ter passado por um sistema que, na prática, pouco educa e quase nada recupera.

É o retrato de uma política social que tem a cara do Brasil atual. Apoio amplo para “ressocializar” quem comete crimes, enquanto quem trabalha honestamente enfrenta impostos abusivos, burocracia sufocante e abandono. Para o jovem trabalhador, sem benefício. Para o atleta esforçado, o sinal vermelho e o pedido de ajuda. Para o criminoso, auxílio mensal garantido.

O discurso oficial ajuda a explicar essa distorção. O próprio presidente Lula já afirmou não aceitar que um menor seja preso “apenas” por roubar um celular. O problema é que esse “apenas” carrega violência, trauma e vítimas reais — quase sempre pobres, quase sempre trabalhadores. Ao mesmo tempo, o Estado tira tudo o que pode, em impostos e tributos, justamente de quem vive do trabalho honesto.

Os números confirmam o país do avesso. Assassinos, estupradores, ladrões de aposentados, saqueadores dos cofres públicos, banqueiros que quebram instituições financeiras e bilionários socorridos por decisões oficiais encontram proteção, benefícios legais e indulgência. Já cidadãos comuns são esmagados pela lei. Em alguns casos, um ato simbólico, como pichar uma estátua com batom, rende condenações de até 14 anos — dependendo, claro, do lado ideológico em que se esteja.

Tudo faz parte do mesmo contexto. O Brasil foi tomado por uma lógica que recompensa o erro e penaliza a honestidade. Hoje, cerca de 42 milhões de brasileiros vivem de benefícios governamentais, enquanto apenas 38 milhões têm carteira assinada, segundo dados de diversas fontes oficiais. Não se trata de um fenômeno passageiro, mas de um projeto de poder que mina a cultura do trabalho, do mérito e da responsabilidade.

Neste Brasil distorcido, ser honesto virou desvantagem. Trabalhar virou castigo. E cometer crime, cada vez mais, virou prêmio.

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