Fundo partidário pesa e dificulta renovação na disputa por vagas federais em Rondônia

Quem já possui mandato larga muito à frente, principalmente no acesso aos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral.

A corrida por uma cadeira na Câmara dos Deputados promete ser dura em Rondônia, especialmente para quem tenta entrar pela primeira vez na política federal. Nos bastidores, lideranças partidárias admitem que montar nominatas competitivas virou um dos maiores desafios da eleição deste ano — e o principal motivo atende por um nome conhecido: dinheiro.

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A lógica é simples e tem sido repetida eleição após eleição. Quem já possui mandato larga muito à frente, principalmente no acesso aos recursos do Fundo Partidário e do Fundo Eleitoral. Deputados federais que buscam a reeleição recebem valores significativamente maiores do que candidatos sem mandato, o que amplia ainda mais a desigualdade na disputa.

Esse desequilíbrio cresce conforme o perfil do candidato. Pela legislação atual, mulheres e candidatos negros recebem percentuais maiores dos fundos. Quando essas características se somam ao mandato, o resultado é uma campanha com estrutura financeira muito superior à dos concorrentes.

Diferença que decide eleição

Na eleição passada, os números deixaram isso evidente. A então deputada federal Sílvia Cristina, hoje pré-candidata ao Senado, teve acesso a mais de R$ 1,5 milhão em recursos de campanha. Já a radialista Sandra Santos, que disputou o mesmo cargo, contou com cerca de R$ 300 mil. O resultado foi uma disputa com condições claramente desiguais.

Diante desse cenário, muitos nomes que entram nas chapas acabam servindo apenas para compor nominata, ajudando a puxar votos para os principais candidatos do partido. Para a maioria, as chances reais de eleição são mínimas, o que levanta o debate: vale a pena disputar apenas para fortalecer outros projetos?

Exemplos dentro dos partidos

No PL, por exemplo, a deputada federal Cristiane Lopes, que tenta renovar o mandato, deve concentrar um volume de recursos muitas vezes superior ao de outros nomes da legenda que também disputarão a Câmara. Entre eles está a vereadora Sofia Andrade, que entra na corrida com bem menos estrutura financeira.

Assembleia Legislativa: outra dinâmica

Na disputa pela Assembleia Legislativa, o jogo muda um pouco. Deputados estaduais com mandato costumam montar chapas com aliados próximos, familiares e simpatizantes, garantindo apoio político e votos suficientes para assegurar a própria reeleição. Os recursos são distribuídos, mas de forma claramente estratégica, com foco nos nomes já consolidados.

Regras feitas por quem se beneficia

Embora a fiscalização seja feita pelo Tribunal Superior Eleitoral e pelos TREs, as regras de distribuição dos recursos são definidas pelo próprio Parlamento. Na prática, quem já está no poder desenha o sistema que tende a favorecer a permanência no cargo — o que ajuda a explicar por que a renovação política acontece em ritmo tão lento.

Movimentações partidárias

Enquanto isso, o xadrez político segue em constante mudança. A possível ida do governador Marcos Rocha para o PSD parecia certa até poucos dias atrás. Em questão de horas, o cenário mudou. Na segunda-feira, Rocha afirmou que deve permanecer no União Brasil, embora sem descartar totalmente novas conversas.

Em um ambiente onde dinheiro, estratégia e tempo de televisão pesam tanto quanto votos, a disputa promete ser intensa — mas, novamente, com vantagens concentradas nas mãos de poucos.

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