EM LINHA RETA – Quando a violência chega à sala de aula – Por Alan Drumond

Alan Drumond é jornalista, especialista em Ciência Política e editor-chefe do portal JH Notícias.

Há poucos dias, Porto Velho foi atravessada por uma notícia que ninguém gostaria de dar. Uma professora de Direito Penal, mulher dedicada ao ensino e também escrivã da Polícia Civil, foi assassinada dentro de uma faculdade. Um lugar que deveria ser sinônimo de aprendizado, debate e construção de futuro se transformou, de repente, em cenário de tragédia.

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O crime aconteceu dentro de sala de aula e causou comoção em toda a cidade. A docente, de 41 anos, lecionava Direito Penal e também atuava na segurança pública. O autor do ataque foi um aluno do próprio curso, e o caso passou a ser investigado pelas autoridades, com prisão decretada pela Justiça. ()

Mas há algo ainda mais perturbador em tudo isso.

Circula nas redes sociais a informação de que milhões de pessoas pesquisam, todos os anos, conteúdos violentos e absurdos na internet. Verdade ou exagero, o fato é que vivemos um tempo em que a banalização da violência se espalha de forma silenciosa. E, quando não é enfrentada, essa cultura pode transbordar para o mundo real.

O que aconteceu em Porto Velho não é apenas um crime. É um alerta.

Uma professora de Direito Penal, que dedicava a vida a ensinar sobre leis, justiça e limites da sociedade, teve sua história interrompida dentro de um ambiente acadêmico. Um espaço que deveria ser seguro. Um espaço que deveria ser respeitado.

Isso nos obriga a fazer perguntas duras:

Onde estamos falhando como sociedade?
O que está acontecendo com a mente das pessoas?
Por que a violência tem se tornado uma resposta tão comum para frustrações, rejeições e conflitos?

Não se trata apenas de um caso isolado. É o retrato de uma realidade que preocupa.

Hoje, escolas e universidades não são apenas lugares de ensino. São ambientes que refletem a tensão social, emocional e psicológica de uma geração inteira. Pessoas sobrecarregadas, instáveis, com dificuldades de lidar com limites e rejeições, acabam transformando sentimentos em atitudes destrutivas.

E quando isso explode, o resultado é irreversível.

Uma família destruída.
Uma comunidade traumatizada.
Alunos marcados para sempre.

Essa coluna não é para espalhar medo. É para chamar atenção.

Precisamos falar mais sobre saúde mental, sobre respeito, sobre limites e, principalmente, sobre o valor da vida. Precisamos entender que a violência não começa no momento do crime. Ela começa muito antes — nas palavras, nas atitudes, nas obsessões silenciosas e nas ideias perigosas que vão sendo normalizadas.

A morte dessa professora precisa ser lembrada não só pela dor que causou, mas pelo alerta que deixa.

Não podemos aceitar que lugares de ensino virem lugares de medo.
Não podemos normalizar o ódio.
Não podemos fechar os olhos para sinais claros de desequilíbrio e risco.

Porque quando a violência chega à sala de aula, ela não atinge apenas uma pessoa.

Ela atinge toda a sociedade.

Alan Drumond é jornalista, especialista em Ciência Política e editor-chefe do portal JH Notícias.

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