Coluna em Linha Reta — Quando a dor vira ação – Por Alan Drumond

A verdade é dura, mas precisa ser dita: muitos casos de violência contra a mulher já dão sinais antes de chegar ao extremo.

Por

Alan Drumond

A morte brutal da professora Juliana Mattos deixou uma marca profunda em Porto Velho. Não foi apenas mais um crime, foi um daqueles episódios que paralisam a cidade, geram revolta e levantam uma pergunta inevitável: o que poderia ter sido feito antes? Quando uma vida é interrompida dessa forma, não existe resposta fácil, mas existe uma obrigação coletiva de transformar indignação em atitude.

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A aprovação do Protocolo Municipal de Prevenção ao Feminicídio, que leva o nome da professora, é um passo importante justamente nesse sentido. Pela primeira vez, se fala com mais seriedade em organização, em integração entre os órgãos e, principalmente, em agir antes da tragédia acontecer. É disso que se trata a verdadeira prevenção: identificar sinais, agir rápido e não deixar que ameaças virem manchetes de morte.

O que chama atenção nesse projeto é que ele não fica apenas no discurso bonito ou na homenagem simbólica. Ele cria regras, define responsabilidades e estabelece mecanismos claros para que o poder público responda com rapidez. Triagem de risco, plano de segurança para vítimas, protocolos em escolas e canais de denúncia são medidas práticas, que podem fazer a diferença entre a vida e a morte.

A verdade é dura, mas precisa ser dita: muitos casos de violência contra a mulher já dão sinais antes de chegar ao extremo. O problema, na maioria das vezes, é a falta de coordenação. Um órgão sabe de uma parte, outro sabe de outra, e ninguém consegue agir de forma integrada. Quando isso acontece, a violência cresce em silêncio até se tornar irreversível.

Se esse protocolo realmente sair do papel e funcionar como foi proposto, Porto Velho pode dar um exemplo para o Brasil. Não se trata de política, de palanque ou de disputa por mérito. Trata-se de evitar que outras famílias passem pela mesma dor. E isso precisa estar acima de qualquer interesse.

Que o nome de Juliana Mattos não seja lembrado apenas pela tragédia, mas como o ponto de partida para uma mudança real. Porque, no fim das contas, o que a sociedade espera não é apenas justiça depois da perda. É proteção antes que o pior aconteça.

Alan Drumond é jornalista, especialista em Ciência Política e editor-chefe do portal JH Notícias.

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