Decisão de Flávio Dino pode abrir caminho para exploração legal de diamantes em áreas indígenas e combater contrabando na região Norte

A expectativa é que a iniciativa ajude a enfrentar o contrabando de diamantes e a presença constante de garimpeiros ilegais nessas áreas.

Uma decisão recente do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), pode representar uma mudança significativa na realidade da mineração em áreas indígenas da região Norte do país. A medida autoriza, em caráter cautelar, a exploração mineral nas terras do povo Cinta-Larga, incluindo a Reserva Roosevelt e regiões próximas ao Parque Iripuanã, na divisa entre Rondônia e Mato Grosso. A expectativa é que a iniciativa ajude a enfrentar o contrabando de diamantes e a presença constante de garimpeiros ilegais nessas áreas.

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A autorização foi concedida por meio de um mandado de injunção apresentado pela Coordenação das Organizações Indígenas do Povo Cinta-Larga. Esse tipo de instrumento jurídico é utilizado quando não existe uma norma específica regulamentando determinado tema. Segundo o entendimento do ministro, há uma lacuna legal que se arrasta há cerca de 37 anos, impedindo que os indígenas explorem, de forma legal e controlada, as riquezas existentes em suas próprias terras.

Com a decisão, a exploração poderá ocorrer sob responsabilidade direta dos próprios indígenas, desde que respeitados critérios ambientais, sociais e legais. A medida também busca reduzir a vulnerabilidade dessas comunidades, que há décadas convivem com a presença de exploradores ilegais e com a disputa clandestina por jazidas de alto valor.

Além de autorizar a exploração, o ministro estabeleceu prazo de dois anos para que o Congresso Nacional regulamente definitivamente a atividade em terras indígenas, criando regras claras e seguras. A ausência dessa regulamentação tem sido apontada como um dos principais fatores que alimentam o mercado ilegal de diamantes e outros minérios na região.

A Reserva Roosevelt, uma das áreas envolvidas na decisão, carrega um histórico marcado por conflitos. Foi ali que, em 7 de abril de 2004, ocorreu um dos episódios mais violentos já registrados em Rondônia: o massacre de 29 garimpeiros, nas proximidades do garimpo do Laje, motivado pela disputa por diamantes. Apesar de uma extensa investigação da Polícia Federal à época, que identificou os responsáveis, o caso segue sem prisões até hoje.

A decisão judicial reacende o debate sobre a necessidade de um modelo legal e transparente para a exploração mineral nessas áreas. Especialistas defendem que, com controle e regulamentação, a atividade pode reduzir a presença de grupos ilegais e garantir que a riqueza gerada beneficie diretamente as comunidades indígenas, além de ampliar a fiscalização e a segurança na região.

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