DATA
Chega a sexta-feira 13 e o povo logo lembra de gato preto atravessando o caminho, espelho quebrado, escada aberta e todo aquele kit básico do terror supersticioso.

MEDO
Tem gente que nem sai de casa, evita tomar decisões importantes e até olha torto para qualquer sombra suspeita no corredor.
SÃO REAIS
Mas, convenhamos… em Rondônia — e, sejamos justos, em boa parte do Brasil — os sustos mais cabeludos não vêm do sobrenatural.
SURRUPIO
Os verdadeiros fantasmas que assustam a população são aqueles que rondam os cofres públicos e fazem desaparecer dinheiro mais rápido que espírito em filme de terror quando a luz acende.
ESPECIALISTAS
Esses, sim, são assombrações profissionais. Não fazem barulho de corrente arrastando, mas deixam um eco ensurdecedor nos serviços públicos abandonados.
MANDRAKE
São especialistas em sumir com recursos que deveriam aparecer em hospitais, escolas e estradas.
DIFERENÇA
Fantasma tradicional bate porta… o fantasma do dinheiro público bate é o martelo em licitações suspeitas.
FEITICEIRAS
E as bruxas das histórias infantis? Ah, essas viraram personagens inocentes perto de certas figuras que orbitam o mundo político.
TEM EM RONDÔNIA
Bruxa de conto de fadas oferece maçã envenenada. Já as versões modernas oferecem bajulação, interesses ocultos e aquele talento especial para causar tempestades familiares e administrativas.
CASAMENTO NAUFRAGADO
São especialistas em preparar poções que misturam ambição, influência e confusão — um caldeirão que costuma ferver principalmente quando envolve político casado e distraído.
E OS BICHINHOS
Na lista de criaturas assustadoras da sexta-feira 13 também aparecem os gatos pretos. Pobres gatos… carregam uma fama injusta.
DINHEIRO PÚBLICO
Nenhum felino assusta tanto quanto político corrupto que atravessa qualquer caminho acreditando que o azar é coisa para os outros.
IMUNES
Eles ignoram todos os sinais, passam por cima de investigação, zombam da desconfiança popular e seguem achando que sempre vão cair de pé.
DIFERENÇA
Até o dia em que a casa cai — e, diferente do gato, nem sempre conseguem usar as sete vidas que imaginavam ter.
OUTROS ANIMAIS
E não podemos esquecer dos animais clássicos do terror: morcegos, corujas e aranhas, criaturas da noite que povoam o imaginário sombrio.
DESINIBIDOS
Mas sejamos francos… esses bichos ao menos respeitam a escuridão para aparecer. Já os ladrões do dinheiro público perderam até essa cerimônia.
QUALQUER HORA
Hoje em dia, muitos nem fazem questão de agir na calada da noite. Trabalham sob luz do dia, com gravata alinhada, discurso bonito e, às vezes, até promessa de moralidade.
COTIDIANO
Na vida real, azar mesmo não é cruzar com superstição de calendário. Azar de verdade é topar com gente maldosa, sem escrúpulos, que transforma confiança pública em negócio particular.
TODO DIA É DIA
Essas figuras não precisam de sexta-feira 13 para espalhar medo, prejuízo e indignação. Elas trabalham em regime de plantão permanente.
POSTURA
No fim das contas, talvez esteja na hora de atualizar nossas superstições. Em vez de evitar espelho quebrado, talvez devêssemos evitar discurso quebrado.
POSTURA 2
Em vez de temer gato preto, talvez fosse prudente temer ficha suja. E, quem sabe, trocar o medo de assombração pelo saudável hábito de fiscalizar quem jura representar o povo.
DÉCADAS
Porque fantasma de filme pode até dar susto… mas fantasma do dinheiro público costuma deixar cicatriz que dura gerações.
FRASE
Fantasma aparece e some… já certas figuras aparecem, ficam e ainda pedem reeleição.





















