Quem acompanha os bastidores da política rondoniense já percebeu: a eleição de 2026 começou muito antes do calendário oficial. E começou pesada. Ataques nas redes sociais, vídeos produzidos com Inteligência Artificial, fake news e uma disputa silenciosa por espaço e influência mostram que o clima é de pré-campanha aberta, mesmo que ninguém admita publicamente.
O governador Marcos Rocha virou o principal alvo desse movimento. Não por acaso. Ao se filiar ao PSD e sinalizar apoio ao prefeito de Cacoal, Adailton Fúria, para a sucessão estadual, ele passou a ocupar uma posição estratégica no tabuleiro. Rocha pode influenciar diretamente candidaturas ao Governo, Senado, Câmara Federal e Assembleia Legislativa. Isso o transforma em peça central e, naturalmente, em alvo preferencial.
Quando surgem vídeos anônimos chamando o governador de “traidor da direita”, tentando colar nele uma imagem que não corresponde à realidade política atual, não se trata de crítica. É estratégia. É tentativa de desgaste antecipado. É o velho método de enfraquecer o adversário antes mesmo da campanha começar de verdade.
A mesma lógica aparece na narrativa sobre o suposto “perdão” de uma dívida bilionária da Energisa. A história, repetida à exaustão nas redes, ignora o fato de que a lei aprovada trata de renegociação de débitos, válida para empresas e cidadãos comuns. A distorção virou munição política. E isso diz muito sobre o nível do debate que vem pela frente.
Mas há outro movimento acontecendo, mais silencioso, porém igualmente importante. No campo municipal, a Câmara de Porto Velho vive um momento de aperto financeiro após a redução do repasse para 4,5% da arrecadação. O corte obrigou o Legislativo a entrar em modo de contenção, com decreto de economia e possibilidade de redução de cargos. Em meio a esse cenário, surgiram especulações sobre possíveis mudanças na composição da Casa por conta da anulação dos votos do PSB.
Só que, estrategicamente falando, a chance de alteração real no quadro atual é mínima. Especialistas em Direito Eleitoral são claros ao afirmar que a mudança no quociente eleitoral, até aqui, não altera a distribuição das cadeiras. Ou seja, muito barulho e pouca consequência prática, pelo menos por enquanto. Ainda há um longo caminho jurídico até qualquer decisão definitiva.
O que tudo isso revela é um ambiente político cada vez mais tenso e antecipado. A sucessão estadual já movimenta alianças, provoca rupturas e gera ataques, enquanto, no plano local, cada espaço de poder passa a ser defendido com mais intensidade. É a política se reorganizando antes da largada oficial.
E se já estamos vendo fake news, campanhas subterrâneas e disputas internas tão cedo, a pergunta que fica é simples: quando a campanha começar de fato, o que ainda estará por vir?
A guerra política começou. E começou antes do esperado.
Alan Drumond é jornalista, especialista em Ciência Política e editor-chefe do portal JH Notícias.





















