A política de Rondônia entrou em modo turbulência e não é exagero. A federação entre Maurício Carvalho, o grupo do Jesualdo Pires e o deputado federal Thiago Flores está sob estresse máximo após sinais claros de que os dois últimos avaliam desembarcar no PSD.
Não é apenas uma movimentação partidária. É um recado político.
Federação não é casamento por amor; é contrato por conveniência eleitoral. E quando os interesses deixam de convergir, a tensão aparece. O movimento expôs a fragilidade da composição União Brasil–PP e colocou Maurício no centro de uma disputa silenciosa, mas intensa.
Comandar partido não é o mesmo que comandar voto.
Maurício sabe disso. Ele detém o controle formal da estrutura, mas enfrenta o desafio real: montar uma nominata competitiva para a Câmara Federal. E nesse jogo, nomes com densidade eleitoral fazem diferença. Jesualdo tem base consolidada. Thiago Flores carrega recall e presença ativa. Sem eles, o projeto enfraquece.
A conta é simples: federação forte depende de voto forte. E voto forte depende de nomes competitivos.
Se a saída se confirmar, o impacto será direto na estratégia de 2026. O PSD, que já vinha trabalhando nos bastidores para crescer em Rondônia, pode ganhar musculatura de forma estratégica. E quem conhece o tabuleiro sabe que essas movimentações não acontecem por impulso acontecem por cálculo.
Nos bastidores, a leitura é clara: há insatisfação, há disputa por espaço e há divergência sobre comando e protagonismo. Política é poder, mas também é sobrevivência eleitoral.
A pergunta que fica é: Maurício conseguirá recompor a federação, acomodar interesses e manter o grupo unido? Ou veremos uma debandada que pode redesenhar o cenário para a próxima eleição?
Em Rondônia, ninguém fica parado. E quando o vento muda, quem não se antecipa, dança.
A turbulência começou. O pouso ainda é incerto.
Alan Drumond é jornalista, especialista em Ciência Política e editor-chefe do portal JH Notícias.





















