Tem coisa que não dá mais pra aceitar em silêncio. Aqui em Porto Velho, o que deveria ser porta de entrada para salvar vidas tem virado motivo de revolta, dor e, em alguns casos, luto.
A população tem reclamado e com razão do atendimento nas UPAs e na unidade Ana Adelaide. Não é uma crítica vazia, não é exagero. É gente em crise, com risco real de morte, que procura ajuda e encontra demora, descaso ou dificuldade para conseguir um encaminhamento adequado.
E quando se fala em atendimento completo, é impossível não citar o Hospital João Paulo II. É lá que estão as especialidades, a estrutura mais robusta, os recursos que podem, de fato, fazer a diferença entre viver e morrer. Mas chegar até lá, para muitos, tem sido um verdadeiro obstáculo.
Eu não estou falando de ouvir dizer. Eu vi de perto. Meu cunhado procurou diversas vezes a unidade Ana Adelaide. Ele precisava de um encaminhamento urgente. Estava com uma infecção forte, grave. Lutou, insistiu, voltou. E só conseguiu quando já era tarde demais.
Dias depois, ele morreu.
Isso não é só tristeza. Isso é revolta.
E o mais grave é saber que não foi um caso isolado. Depois dessa perda, já recebi outros relatos semelhantes. Pessoas que passaram pelo mesmo caminho, pelo mesmo sofrimento, pela mesma demora que pode custar uma vida.
Até quando?
Até quando quem precisa de atendimento de qualidade vai depender da sorte? Até quando vidas vão ficar nas mãos de um sistema que, muitas vezes, não consegue agir com a urgência que a situação exige?
Não se trata de atacar profissionais de saúde que trabalham sob pressão, muitas vezes sem estrutura adequada. Mas é impossível ignorar que o sistema falha e falha feio quando não consegue garantir o básico: acesso rápido e eficiente a um atendimento que pode salvar vidas.
Saúde não pode ser burocracia. Saúde é prioridade. É urgência. É decisão na hora certa.
Porque quando essa decisão não vem… alguém paga com a própria vida.























