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ALERTA NO COMÉRCIO – Furtos crescem 46% em Porto Velho e força-tarefa reforça policiamento durante a madrugada

Comerciantes que convivem com arrombamentos e prejuízos ganham reforço de quatro guarnições entre 22h e 6h; aumento das ocorrências acende sinal de alerta na capital

ALERTA NO COMÉRCIO – Furtos crescem 46% em Porto Velho e força-tarefa reforça policiamento durante a madrugada

PORTO VELHO – Quem passa durante o dia pelas principais avenidas comerciais de Porto Velho encontra lojas abertas, trabalhadores, clientes e uma rotina aparentemente normal. Quando as portas se fecham e o movimento diminui, porém, começa uma preocupação que passou a fazer parte da vida de muitos empresários: chegar ao estabelecimento no dia seguinte e encontrar a porta arrombada.

O problema ganhou proporções preocupantes. Dados apresentados durante discussões entre forças de segurança, Prefeitura e representantes do setor empresarial apontam que os furtos contra estabelecimentos comerciais aumentaram mais de 46% em Porto Velho no último ano, com grande concentração das ocorrências durante a madrugada.

Por trás do percentual estão histórias de comerciantes que investiram suas economias, geram empregos e, além das despesas normais para manter uma empresa aberta, passaram a gastar também com grades, câmeras, alarmes e reparos após invasões.

A situação chegou ao ponto de empresários da avenida Carlos Gomes realizarem manifestação cobrando providências. O movimento provocou uma sequência de reuniões envolvendo Prefeitura, Polícia Militar, Segurança Pública, Ministério Público e representantes de entidades empresariais.

A resposta começou a sair das reuniões para as ruas.

Por meio do programa Comércio Protegido, quatro guarnições passaram a atuar diariamente entre 22h e 6h, justamente no período considerado mais crítico.

Duas equipes concentram o patrulhamento no corredor comercial formado por avenidas como Carlos Gomes, Sete de Setembro, Abunã, Calama e Nações Unidas. Outras duas atendem regiões das zonas Leste e Sul.

A operação utiliza também a chamada Atividade Delegada, mecanismo pelo qual agentes de segurança podem atuar, de forma remunerada pelo Município, durante seus horários de folga.

A Polícia Militar anunciou ainda a intenção de ampliar o efetivo destinado às regiões comerciais.

Um problema que vai além da porta arrombada

Quando uma loja é furtada, o prejuízo não termina no produto levado.

Há portas e vitrines para reconstruir, equipamentos danificados, dias de funcionamento comprometidos e, principalmente, o medo de que tudo aconteça novamente.

É justamente esse lado humano que ajuda a explicar a pressão dos comerciantes por uma resposta mais efetiva do poder público.

A balconista Maria Regiane, que trabalha em uma farmácia na avenida Carlos Gomes, relatou à comunicação da Prefeitura que comerciantes e funcionários já conviviam com diferentes situações de furto na região e receberam o reforço do policiamento com expectativa.

A preocupação também alcança quem trabalha até mais tarde e precisa deixar o estabelecimento quando as ruas já estão praticamente vazias.

Comunicação direta entre comerciantes e policiais

Outra medida discutida é aproximar empresários e forças de segurança.

Grupos de comunicação deverão facilitar a troca rápida de informações e o acionamento das equipes. Também estão sendo realizadas visitas preventivas aos estabelecimentos.

A orientação é que empresários reforcem medidas como câmeras de monitoramento, fechamento adequado de portas e vitrines e outros mecanismos de segurança.

Mas a responsabilidade de enfrentar a criminalidade não pode ser simplesmente transferida ao comerciante.

O desafio agora será verificar se o aumento do policiamento conseguirá produzir aquilo que realmente interessa a quem abre a loja todos os dias: redução efetiva dos furtos.

Porto Velho vive um momento de expansão econômica e registrou mais de 6,2 mil novas empresas somente no primeiro semestre de 2026. Proteger esses negócios significa proteger também empregos, renda e famílias que dependem deles.

Depois de um crescimento de 46% nas ocorrências contra estabelecimentos, o recado dos comerciantes parece ter chegado ao poder público.

Agora, o resultado será medido nas ruas — e, principalmente, nas portas que permanecerem intactas durante a madrugada.

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