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CADÊ O DINHEIRO? – A menos de um mês da eleição, candidatos de Rondônia cobram Fundo Eleitoral e campanhas enfrentam aperto

Essa é uma das perguntas que mais circulam nos bastidores da política de Rondônia nesta reta decisiva da eleição.

CADÊ O DINHEIRO? – A menos de um mês da eleição, candidatos de Rondônia cobram Fundo Eleitoral e campanhas enfrentam aperto

PORTO VELHO – Cadê a grana que deveria estar financiando as campanhas?

Essa é uma das perguntas que mais circulam nos bastidores da política de Rondônia nesta reta decisiva da eleição.

Faltando menos de um mês para o primeiro turno, candidatos que entraram na disputa contando com recursos partidários continuam fazendo contas, reduzindo despesas e, em alguns casos, acumulando compromissos assumidos no início da campanha.

A situação pesa principalmente sobre candidatos proporcionais.

São postulantes à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal que precisam percorrer um estado com dimensões continentais, produzir material, manter equipes, deslocamentos e estrutura mínima de campanha, mas que ainda aguardam recursos prometidos pelos partidos.

O problema chama ainda mais atenção porque dinheiro existe.

O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC) das eleições de 2026 alcançou nada menos que R$ 4,961 bilhões.

E os recursos já foram disponibilizados pelo Tribunal Superior Eleitoral às principais legendas há semanas.

O PL e o PSD, por exemplo, tiveram o FEFC liberado em 20 de agosto. MDB, PT e PSB tiveram a liberação registrada em 21 de agosto.

Então, se o dinheiro saiu do TSE, por que ainda não chegou a tantos candidatos?

A resposta está, em grande parte, dentro dos próprios partidos.

Dinheiro sai de Brasília, mas precisa passar pela matemática partidária

O Fundo Eleitoral não é depositado pelo TSE diretamente na conta de cada candidato.

O dinheiro é destinado aos partidos, e cabe às direções partidárias estabelecerem os critérios internos de distribuição.

É aí que começa uma verdadeira engenharia política e financeira.

Cada partido precisa decidir quanto destinará às campanhas presidenciais, governos estaduais, Senado, Câmara Federal e Assembleias Legislativas.

Também precisa definir quanto cada estado receberá e, dentro dos estados, quais candidaturas serão consideradas prioritárias.

Além disso, existe uma conta que não pode ser ignorada: as reservas obrigatórias de recursos destinadas às candidaturas de mulheres, pessoas negras e indígenas.

O TSE divulgou os percentuais que devem ser observados pelas legendas e determinou que os valores destinados a essas candidaturas sejam utilizados exclusivamente para beneficiá-las.

E há uma informação importante.

O prazo inicialmente previsto para a distribuição desses recursos foi alterado.

O Tribunal Superior Eleitoral prorrogou para 8 de setembro — esta terça-feira — o prazo final para a distribuição dos recursos correspondentes às cotas obrigatórias.

Portanto, parte da demora que vem provocando apreensão nas campanhas pode estar relacionada justamente ao fechamento dessa matemática nacional.

Mas isso não explica tudo.

Quem recebe quanto também é decisão política

Depois de cumprir as reservas obrigatórias, sobra uma discussão muito mais política do que matemática.

Quem será prioridade?

Uma direção nacional pode decidir investir milhões em uma candidatura a governador considerada competitiva e destinar valores menores aos candidatos proporcionais.

Pode concentrar recursos em determinados estados onde enxerga possibilidade de eleger mais deputados federais.

Pode priorizar candidatos que já possuem mandato.

Pode ainda aumentar ou reduzir valores inicialmente discutidos durante a formação das chapas.

É justamente aí que começam as frustrações.

Há candidatos que aceitaram entrar na disputa contando com determinada estrutura financeira e, semanas depois, descobriram que o valor poderia ser menor.

Outros ainda sequer sabem exatamente quanto receberão.

E eleição não espera.

Enquanto as negociações acontecem em Brasília, os boletos continuam chegando em Rondônia.

Pedro Abib recebeu R$ 1 milhão

Um exemplo das mudanças que podem ocorrer entre promessa e transferência aparece na candidatura de Pedro Abib, do MDB.

Nos bastidores, chegou-se a falar em uma estrutura de aproximadamente R$ 3 milhões para sua candidatura ao Governo.

Depois, o valor teria caído para aproximadamente R$ 1,3 milhão.

O registro oficial disponível atualmente mostra outra realidade.

A Direção Nacional do MDB transferiu R$ 1 milhão do Fundo Especial de Financiamento de Campanha para Pedro Abib em 31 de agosto.

Sua campanha também registra R$ 47,5 mil provenientes do Fundo Partidário.

Ou seja: Abib já recebeu dinheiro público para iniciar uma estrutura mais robusta de campanha, embora em valor inferior ao que chegou a circular anteriormente nos bastidores.

Expedito Netto também saiu na frente

Entre os candidatos competitivos ao Governo, Expedito Netto também aparece entre aqueles que conseguiram colocar recursos importantes na campanha.

Informações de bastidores apontam repasse na casa de R$ 1,8 milhão para sua candidatura.

Enquanto isso, existe grande expectativa sobre o tamanho das estruturas que PL e PSD colocarão à disposição de Marcos Rogério e Adailton Fúria, respectivamente.

Hildon Chaves também depende das definições partidárias para saber qual será o tamanho final da estrutura financeira disponível nesta reta decisiva.

E aqui mora uma questão importante.

Com menos de um mês de campanha pela frente, receber dinheiro agora é completamente diferente de recebê-lo no começo.

Campanha não se constrói em uma semana

Dinheiro eleitoral não serve apenas para imprimir santinho.

Campanhas precisam contratar equipes, produzir programas eleitorais, impulsionar conteúdo dentro das regras da legislação, organizar viagens, combustível, eventos, material gráfico, serviços jurídicos, contabilidade e uma extensa cadeia de fornecedores.

Quanto mais tarde o recurso chega, menor o tempo disponível para transformar dinheiro em voto.

E para um candidato a deputado estadual a situação pode ser ainda mais dramática.

Imagine alguém que entrou na campanha após receber a garantia de que teria determinada estrutura.

Contratou pessoas.

Encomendou material.

Assumiu despesas.

Percorreu municípios.

E, faltando menos de um mês para a eleição, o dinheiro prometido ainda não apareceu.

É justamente essa a situação relatada nos bastidores por candidatos de diferentes partidos em Rondônia.

A terça-feira pode ser decisiva

O dia 8 de setembro pode representar um divisor de águas.

É hoje que termina o prazo estabelecido pelo TSE para que os partidos distribuam os recursos públicos destinados ao cumprimento das cotas de mulheres, pessoas negras e indígenas.

Com essa conta definitivamente fechada, a expectativa é de que as direções partidárias consigam acelerar uma série de repasses que ainda estão pendentes.

Mas existe algo que precisa ficar claro.

Não é correto afirmar simplesmente que o TSE está segurando o dinheiro.

Para diversas das principais legendas, o Fundo Eleitoral já foi liberado em agosto.

A partir daí, grande parte da responsabilidade passa para dentro dos partidos: direção nacional, critérios estabelecidos, estratégia eleitoral, cumprimento das cotas e decisões sobre quais estados e candidaturas receberão prioridade.

E o candidato?

O candidato espera.

Espera a ligação de Brasília.

Espera o presidente estadual dizer quanto conseguiu.

Espera o extrato bancário mudar.

Enquanto isso, a campanha continua.

Faltam menos de quatro semanas para o eleitor chegar à urna.

Para quem possui estrutura própria ou já recebeu recursos, é hora de acelerar.

Para quem entrou na eleição acreditando em promessas de financiamento que ainda não se materializaram, cada dia perdido começa a valer ouro.

Ou, neste caso, milhões.

O Fundo Eleitoral de 2026 possui R$ 4,961 bilhões.

O dinheiro existe.

Boa parte dele já chegou aos partidos.

A pergunta que centenas de candidatos fazem nos bastidores de Rondônia é bem mais simples:

quando é que ele vai chegar até nós?

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