Por JH Notícias
Todo porto-velhense conhece a cena.
O céu escurece, a chuva aperta e, poucos minutos depois, algumas ruas começam a acumular água.
O problema é antigo e não existe solução única para uma cidade que cresceu durante décadas enfrentando deficiências de drenagem.
Mas uma experiência ainda pouco conhecida da população está começando a aparecer em diferentes pontos da capital: os chamados jardins de chuva.
O quarto deles está sendo construído no bairro Cohab, entre as ruas Abacateiro e Algodoeiro, dentro da área onde também está sendo implantado o Pocket Park Jacaré.
Apesar do nome, não se trata apenas de paisagismo.
A estrutura é projetada para receber parte da água que escorre por ruas e calçadas durante as chuvas, permitindo retenção e infiltração antes que todo esse volume seja despejado imediatamente no sistema convencional de drenagem.
É uma tentativa de trabalhar com a água, em vez de simplesmente tentar expulsá-la da cidade o mais rápido possível.
A região escolhida também chama atenção.
O local onde está sendo implantado o Pocket Park já enfrentou problemas relacionados ao descarte irregular de lixo e alagamentos.
Naturalmente, quatro jardins de chuva não resolverão sozinhos os problemas de drenagem de Porto Velho.
Mas a experiência merece ser acompanhada.
Se houver resultado nos pontos implantados, a tecnologia poderá funcionar como complemento de galerias, canais, limpeza de bueiros e demais obras convencionais.
Porto Velho cresceu impermeabilizando o solo com asfalto, concreto, calçadas e construções.
Quando a chuva cai, a água encontra cada vez menos lugares para infiltrar.
Os jardins fazem justamente o caminho inverso: devolvem pequenos espaços para que parte dessa água volte ao solo.
A pergunta agora é se a experiência permanecerá restrita a poucos locais ou poderá integrar uma política mais ampla de drenagem urbana.
Quando chegar o próximo inverno amazônico, será a própria chuva que ajudará a responder.




















