FILA DA HÉRNIA — Quantos porto-velhenses ainda esperam pela cirurgia no SUS?

Com novo Hospital Municipal iniciando atividades e previsão de mais de 19 mil procedimentos no primeiro ano, pacientes que aguardam cirurgias eletivas vivem expectativa de finalmente deixar a fila

FILA DA HÉRNIA — Quantos porto-velhenses ainda esperam pela cirurgia no SUS?

Uma hérnia pode começar pequena.

Um incômodo ao levantar peso, uma saliência no abdômen ou na virilha e uma dor que aparece durante o trabalho. Para algumas pessoas, o problema permanece controlável durante algum tempo. Para outras, começa a interferir na rotina, no sono e até na capacidade de trabalhar.

Quando o médico indica cirurgia e o paciente depende do Sistema Único de Saúde, começa outra etapa: a espera pelo procedimento.

Em Porto Velho, as cirurgias de hérnia estão entre os procedimentos eletivos contemplados pelas estratégias adotadas pela rede municipal para reduzir a fila de regulação.

Mas uma pergunta permanece importante: quantas pessoas aguardam atualmente por uma cirurgia de hérnia na capital?

O JH Notícias pesquisou as informações públicas disponíveis e não encontrou, até esta publicação, um número atualizado que discrimine especificamente a quantidade de pacientes que hoje aguardam hernioplastia em Porto Velho.

O que os documentos oficiais revelam, porém, ajuda a dimensionar o problema.

Cirurgias já vêm sendo realizadas

O Relatório Anual de Gestão da Secretaria Municipal de Saúde mostra que Porto Velho realizou, em 2025, cirurgias eletivas por meio de contrato com o Hospital Santa Marcelina.

Foram 471 Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs) aprovadas naquele ano, considerando diferentes tipos de procedimentos.

Dentro desse total aparecem pelo menos 53 procedimentos diretamente relacionados a hérnias:

  • 27 hernioplastias inguinais ou crurais;
  • 21 hernioplastias umbilicais;
  • 5 reparações de outras hérnias.

Os números mostram que o SUS municipal vem realizando esse tipo de cirurgia, mas também ajudam a explicar por que aumentar a capacidade cirúrgica tornou-se uma das prioridades anunciadas pela administração municipal.

R$ 4,9 milhões para aumentar as cirurgias

Em março deste ano, a Prefeitura abriu um novo credenciamento de prestadores para ampliar a realização de cirurgias eletivas.

O investimento previsto foi de aproximadamente R$ 4,9 milhões, inicialmente por 12 meses.

E a hérnia aparece expressamente entre os procedimentos contemplados.

O credenciamento inclui hernioplastias, além de cirurgias de vesícula, histerectomias, laqueaduras e outros procedimentos.

A estratégia permite que mais de um prestador seja contratado, de acordo com a capacidade de atendimento e a demanda encaminhada pela regulação.

Hospital Municipal muda cenário

É justamente agora, entretanto, que Porto Velho pode entrar em uma nova fase no enfrentamento das filas.

O Hospital Municipal inicia suas atividades neste mês de setembro com previsão de atender aproximadamente 10 mil pessoas durante o primeiro ano e realizar 19.706 procedimentos médicos.

Uma das missões anunciadas para a nova unidade é atuar diretamente sobre a demanda reprimida por cirurgias eletivas.

A expectativa é especialmente importante porque Porto Velho historicamente não possuía hospital municipal próprio para concentrar esse tipo de atendimento.

A Prefeitura já havia informado que a unidade teria 50 leitos inicialmente, com possibilidade de expansão para mais de 200, e que parte da atuação seria direcionada justamente à fila da regulação.

Como funciona a fila?

Outro ponto que precisa ser explicado ao paciente é que a fila do SUS não funciona necessariamente como uma fila comum, em que basta saber a posição numérica para calcular quando chegará sua vez.

Em Rondônia, os procedimentos cirúrgicos eletivos são gerenciados pelo SISREG Hospitalar, vinculado à Coordenadoria Estadual de Regulação.

A priorização considera critérios clínicos, além da organização regulatória do sistema.

Em Porto Velho, a própria Semusa informa que o encaminhamento das cirurgias contratadas pelo município segue critérios técnicos, ordem cronológica e prioridade clínica.

Isso significa que dois pacientes com hérnia podem não necessariamente ser operados seguindo apenas a data em que entraram no sistema.

A gravidade e a avaliação médica também interferem na prioridade.

Quando a espera interfere na vida

É nesse ponto que a estatística encontra a realidade.

Por trás de cada nome inserido na regulação existe alguém que precisa continuar trabalhando, dirigindo, carregando peso, cuidando dos filhos ou simplesmente realizando tarefas comuns enquanto aguarda.

E é por isso que a quantidade exata de pessoas esperando pela cirurgia de hérnia é uma informação de interesse público.

Com o Hospital Municipal entrando em funcionamento e novos contratos sendo utilizados para ampliar as cirurgias, Porto Velho tem agora uma oportunidade concreta de reduzir essa demanda.

O resultado poderá ser medido de maneira bastante simples:

quantos pacientes estavam esperando, quantos serão operados e quanto tempo cada um precisará aguardar.

O JH Notícias buscará junto à Secretaria Municipal de Saúde os dados atualizados sobre o número de pacientes que aguardam especificamente cirurgias de hérnia, o tempo médio de espera e a quantidade de procedimentos prevista para os próximos meses.

Porque, para quem sente dor todos os dias, reduzir uma fila não é apenas melhorar um indicador da saúde pública.

É devolver qualidade de vida.

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