Não são apenas números em uma tela de regulação.
São pessoas com dor, limitações para trabalhar, dificuldade para caminhar e uma pergunta que se repete dentro de casa: quando finalmente serei atendido?
Nos últimos dias, o JH Notícias recebeu diversos pedidos de ajuda de moradores de Porto Velho que afirmam aguardar há longos períodos por cirurgias, consultas especializadas e outros procedimentos através do Sistema Único de Saúde (SUS).
Os relatos chegaram de diferentes pessoas e envolvem situações distintas. O ponto em comum é o sofrimento durante a espera.
Um dos casos que mais chamou a atenção da reportagem é o de um homem que aguarda atendimento para uma hérnia que, segundo ele, já se projeta para fora do abdômen.
O paciente relata que, em determinados momentos, precisa empurrar a protuberância com a própria mão para fazê-la retornar.
A reportagem preserva a identidade do morador neste momento, mas recebeu seu pedido de ajuda.
Em outro caso encaminhado ao JH Notícias, um paciente apresentou documentação demonstrando que está regulado para cirurgia de hérnia umbilical e aguarda a realização do procedimento.
São histórias que ajudam a mostrar o lado humano de uma fila que há anos representa um dos grandes desafios da saúde pública de Porto Velho.
Idoso relata meses sem conseguir andar após fraturar o pé
Outro pedido recebido pelo JH Notícias nem sequer envolve cirurgia de hérnia.
Um idoso procurou o portal relatando que fraturou o pé, recebeu atendimento em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e posteriormente foi encaminhado para casa.
Segundo o relato encaminhado à reportagem, meses depois o problema permanece.
O idoso afirma que o pé continua inchado e que não consegue andar normalmente.
O JH Notícias ainda não teve acesso ao prontuário médico completo desse paciente e, por isso, não seria correto afirmar neste momento se houve falha no atendimento ou qual tratamento deveria ter sido adotado.
O relato, entretanto, merece atenção.
Um paciente idoso que afirma permanecer por meses com edema e incapacidade para caminhar depois de uma fratura precisa ter sua situação devidamente acompanhada pela rede de saúde.
A fila existe — e o próprio Município trabalha para reduzi-la
Os relatos que chegaram ao JH Notícias aparecem justamente em um momento no qual Porto Velho está ampliando sua capacidade de realizar cirurgias eletivas.
Em março deste ano, a Prefeitura abriu credenciamento de empresas para aumentar a oferta desses procedimentos, prevendo aproximadamente R$ 4,9 milhões em investimento. Entre as cirurgias expressamente contempladas estão as hernioplastias, utilizadas no tratamento cirúrgico das hérnias.
A própria Secretaria Municipal de Saúde reconhece a existência de demanda represada. Em junho, ao anunciar a estratégia para o Hospital Municipal, a Semusa informou que milhares de pacientes enfrentaram ao longo dos anos espera por consultas especializadas, exames e procedimentos cirúrgicos.
Há casos documentados de espera prolongada.
Em julho de 2025, por exemplo, a Prefeitura divulgou a história de um paciente que havia aguardado dois anos por uma cirurgia de hérnia inguinal antes de conseguir realizar o procedimento. Naquela ocasião, mais de 200 pacientes que estavam há anos na fila começaram a ser operados por meio de parceria com o Hospital Santa Marcelina.
53 cirurgias relacionadas a hérnias foram registradas em 2025
Documentos oficiais ajudam a dimensionar o atendimento realizado.
O Relatório Anual de Gestão da Semusa registra 471 Autorizações de Internação Hospitalar (AIHs) referentes aos procedimentos realizados pelo Hospital Santa Marcelina em 2025.
Entre elas estavam 27 hernioplastias inguinais ou crurais, 21 hernioplastias umbilicais e cinco reparações de outras hérnias — 53 procedimentos relacionados a hérnias dentro dessa relação.
O dado demonstra que as cirurgias estão sendo realizadas.
Mas os pedidos que continuam chegando ao JH Notícias mostram também que existem pacientes esperando por uma resposta.
E é justamente essa demanda que precisa ser identificada e enfrentada.
Novo Hospital Municipal aumenta expectativa
Existe agora uma expectativa concreta de mudança desse cenário.
O Hospital Municipal de Porto Velho inicia suas atividades neste mês de setembro com previsão oficial de atender aproximadamente 10 mil pessoas no primeiro ano e realizar 19.706 procedimentos médicos.
Segundo a Prefeitura, uma das principais funções da nova estrutura será justamente reduzir as filas de cirurgias eletivas e ampliar o atendimento especializado.
É uma notícia importante para quem espera.
Mas também aumenta a expectativa de pacientes que convivem diariamente com dor.
Para essas pessoas, anúncio, contrato e estrutura hospitalar precisam chegar à etapa mais importante: o atendimento.
JH Notícias pede atenção aos casos
O objetivo desta reportagem não é apontar culpados nem desconsiderar os avanços e investimentos que estão sendo realizados na saúde municipal.
É fazer chegar ao poder público a voz de pessoas que procuraram este veículo porque dizem não saber mais a quem recorrer.
O JH Notícias entende que cada caso precisa ser analisado individualmente pela equipe médica e pela regulação, respeitando critérios clínicos e a prioridade de cada paciente.
A própria Prefeitura informa que o encaminhamento das cirurgias eletivas considera critérios técnicos, ordem cronológica e prioridade clínica.
Por isso, o portal encaminhará os casos recebidos aos órgãos responsáveis e solicitará informações sobre a situação de cada paciente, além de dados atualizados sobre a fila de cirurgias.
O JH Notícias também quer saber quantas pessoas aguardam atualmente por cirurgia de hérnia em Porto Velho, qual o tempo médio de espera e de que maneira a entrada em funcionamento do Hospital Municipal modificará essa fila.
Quando a dor não pode esperar
Existe uma diferença enorme entre aguardar um procedimento no papel e aguardar sentindo dor.
Para quem está saudável, alguns meses podem parecer apenas uma posição na fila.
Para quem precisa empurrar uma hérnia de volta com a própria mão, para quem aguarda uma cirurgia já regulada ou para um idoso que relata não conseguir caminhar depois de uma fratura, cada dia tem outro peso.
É por essas pessoas que a fila precisa andar.
E também é por elas que o JH Notícias abre este espaço.
Se você está há meses ou anos aguardando cirurgia, exame ou consulta especializada pelo SUS em Porto Velho, procure o JH Notícias e conte sua história.
Os casos poderão ser documentados e encaminhados aos órgãos responsáveis, preservando informações pessoais e respeitando a situação de cada paciente.
A saúde pública não é feita apenas de p




















