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Advogado é preso acusado de soltar pitbull em policiais e diz que foi agredido

Postado em 07/07/2018 às 11h25min


Advogado é preso acusado de soltar pitbull em policiais e diz que foi agredido

Os advogados Dyego Nunes da Silva Souza e Luciano Carvalho do Nascimento se envolveram em uma confusão com a Polícia Civil na noite de sexta-feira (6), em Cuiabá. Dyego é suspeito de dirigir bêbado e atropelar um homem, enquanto Luciano é acusado de atrapalhar a prisão do primeiro, inclusive soltando um cachorro pitbull na direção dos policiais. Dyego foi apenas autuado, enquanto Luciano acabo sendo preso e depois liberado. Ele afirmou que foi agredido pelos policiais.

A assessoria da Polícia Civil informou que, por volta das 21h da noite de sexta, o pedestre Martiniano Cabral, 54 anos, foi atropelado no bairro CPA 4, por um Ford Fiesta Sedan. O motorista fugiu do local sem prestar socorro. A vítima ficou ferida e foi levada ao Pronto Socorro de Cuiabá pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

Por meio da placa, os policiais da Delegacia de Trânsito (Deletran) foram até à casa do dono do carro e encontraram o veículo com o para-brisas quebrado e o para-lamas danificado. Os policiais relataram que foram recebidos por Luciano, que informou ser advogado, mas não mostrou a carteira da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Segundo a polícia, Luciano tentou impedir a prisão do cliente alegando que não era flagrante, “inclusive soltando um cachorro pitbull, que avançou na direção dos policiais da Deletran”. Diante da situação, os policiais pediram reforço da Gerência de Operações Especiais (GOE), que entrou na casa e para prender Dyego pelo atropelamento.

O motorista se recusou a realizar o teste do bafômetro e, diante da recusa, foi autuado, e também se recusou a assinar o documento. Segundo a polícia, ele apresentava “visível estado de embriaguez”. Além disso, a carteira de habilitação de Dyego estava vencida e o licenciamento do carro atrasado. O carro foi removido pelo guincho para perícia.

Os policiais disseram ainda que Luciano se recusou a entregar a chave do carro. Nesse momento, ele foi preso e levado à Central de Flagrantes no bairro Verdão. Depois de chegar à central, o advogado disse que precisava de atendimento médico e foi levado ao hospital. Ele ainda será ouvido e pode ser autuado por desobediência. O delegado de plantão, Guilherme Fachinelli, é responsável pelo caso.

Agressão policial

Em nota, a Associação dos Advogados Criminalistas (Abracrim) afirmou que a prisão de Luciano foi ilegal, pois não havia representante da OAB no momento. Além disso, uma comissão de advogados criminalistas foi impedida de acompanhar os procedimentos de prisão.

Luciano, por sua vez, afirmou que “foi brutalmente agredido, algemado e levado na viatura” por policiais do GOE que tinham os rostos cobertos, “impossibilitando qualquer reconhecimento e identificação”.

Leia a nota da Abracrim na íntegra:

Advogado é preso no exercício da advocacia sem a presença de um representante da OAB e contrariando totalmente lei federal, em um total desrespeito as prerrogativas da advocacia.

Na noite do dia 06 de julho, em Cuiabá-MT, o advogado criminalista Luciano Carvalho do Nascimento recebeu um chamado de um cliente para comparecer na residência do mesmo porque estaria sendo acusado por um suposto atropelamento por parte dos policiais da Delegacia de Trânsito.

Chegando na residência do cliente e se identificando como advogado, Luciano foi brutalmente agredido, algemado e levado na viatura preso até o Cisc Verdão pelos policiais do Grupo de Operações Especiais (GOE), que não possuiam visíveis qualquer identificação funcional e portando a todo momento balaclavas, impossibilitando qualquer reconhecimento e identificação civil.

Mesmo com a chegada de uma comissão de advogados criminalistas e da presidente da Abracrim-MT, Michele Marie de Souza, os policiais continuaram agindo de forma truculenta com o nítido intuito de intimidar os presentes que estavam ali apenas para resguardar os direitos do advogado detido erroneamente. Sendo inclusive, proibidos de adentrar o interior do Cisc para acompanhar o procedimento da lavratura da prisão.

Mais um caso da truculência da polícia do estado do Mato Grosso. A OAB e a Abracrim-MT acompanhará o caso de perto, tomando todas as providências legais cabíveis e assegurar a responsabilização das violações das prerrogativas diante dos órgãos competentes nas esferas administrativas, civis e criminais.