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Cachoeira em que menino foi achado morto durante excursão escolar tinha mais alunos que o permitido

No dia da excursão, 72 alunos visitaram a cachoeira e haviam seis monitores com os estudantes.

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A cachoeira da Prainha, no Parque Nacional de Chapada dos Guimarães (MT), onde Daniel Hiarle Arruda de Oliveira, de 14 anos, morreu afogado no último dia 6, durante uma excursão escolar, só permite 24 pessoas no local. No dia da excursão, pelo menos 30 alunos estavam na cachoeira ao mesmo tempo.

Na entrada, há uma placa mostrando o limite permitido. De acordo com o delegado da Polícia Civil Alexandre da Silva Nazareth, ainda não se sabe o que realmente aconteceu no local.

“Não temos a convicção plena ainda do que ocorreu. A partir do depoimento dos educadores, extrai-se que três alunos brincavam de pular em determinado local da cachoeira e pode ter havido uma queda acidental na água porque o local tem algumas pedras, mas isso ainda é só uma especulação porque a gente depende da análise do laudo pericial para concluir”, disse.

Era para ser um dia diferente de estudos, quando 72 alunos da Escola Estadual Professor Welson Mesquita de Oliveira, em Cuiabá, entre 14 e 15 anos, foram para uma excursão em Chapada dos Guimarães. No final do passeio, Daniel de Oliveira foi encontrado morto.

Todos os alunos tinham uma autorização, sem muitos detalhes sobre o passeio, assinada pelos pais.

“É uma trilha de aproximadamente três quilômetros da sede do Véu de Noiva até a [última] cachoeira. A gente veio procurando ele e íamos partir para outros lugares. Decidimos mergulhar e então encontramos o Daniel a aproximadamente três metros de profundidade. Infelizmente achamos ele sem vida”, conta o sargento do Corpo de Bombeiros, Luciano Gonçalo de Barros Moraes.

Depois da tragédia, a trilha do Circuito das Cachoeiras ficou fechada um dia e reabriu para turistas e excursões, ainda sem exigência de acompanhamento de guia.

Segundo o major Emerson Henrique Acendino, do Corpo de Bombeiros Militar, o local tem o solo desigual, cachoeiras, pedras escorregadias que oferecem um certo risco para os visitantes.

“O Corpo de Bombeiros orienta que em locais de difícil acesso onde possa receber excursões com várias pessoas, ao adentrar nesses locais, que estejam acompanhados de pessoas que conhecem a região”, afirma.

Em 2008, uma parte da encosta da cachoeira do Véu da Noiva, que faz parte do Circuito das Cachoeiras, desmoronou e atingiu seis pessoas. Uma jovem de 17 anos morreu. Após o acidente, o parque ficou fechado por mais de um ano.

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Quando a visitação voltou o Circuito de Cachoeiras passou a ser guiado, mas uma nova portaria liberou o passeio sem guia no dia 23 de novembro.

De acordo com a consultora de turismo em área natural, Tatiana Fernandez, a obrigatoriedade de um guia para determinadas trilhas segue normas.

“Há uma pesquisa minuciosa de todos os riscos e perigos que essa área vai ter para o turista. Depois que é feito esse estudo, vai fundamentar se ela vai ser guiada ou auto guiada e com quais critérios isso vai ser executado porque não basta apenas uma classificação. Uma trilha em ambiente natural que leva a um ambiente de banho requer supervisão porque o índice de risco e perigo é bastante elevado”, contou.
Em nota, o ICMBio informou que o parque tem uma estruturação adequada, com sinalização no local e indicações de acesso e que, por isso, a visitação autoguiada é permitida em algumas dessas trilhas na unidade de conservação. Além disso, cada visitante recebe orientações e assina um termo de risco logo na entrada na unidade.

O ICMBio afirma que a comunidade escolar respeitou a regra de um monitor para cada dez alunos. Já a escola, afirma que a recomendação era de um profissional para cada grupo de 15 alunos.

Mas as investigações apontaram que eram seis monitores para os 72 alunos. Esses e outros números chamam a atenção na história. A policia investiga agora quantos limites foram ultrapassados, e os riscos que deveriam ter sido evitados na aula de campo.

“Há um conflito de ideias, inclusive nos próprios depoimentos dos educadores. Há de se destacar que o local de banho comportava três grupos sendo que cada grupo tinha entre 12 e 15 pessoas, e no local do acidente haviam mais de 30 pessoas utilizando aquela área”, contou o delegado Alexandre da Silva Nazareth.
Em nota, a direção da escola informou que a professora responsável pelo projeto cumpriu todos os protocolos e que os professores que acompanharam os alunos nas atividades sabiam nadar e teriam condições de realizar o resgate e que os alunos não teriam ficado sem os professores em nenhum momento.

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A Secretaria Estadual de Educação informou que se for necessário, mudará os protocolos de excursões daqui para frente.

A polícia tem 30 dias pra concluir o caso.

Daniel Hiarle Arruda de Oliveira, de 14 anos, morreu em excursão de escola — Foto: Arquivo pessoal

Passeio foi presente de aniversário
A mãe de Daniel, Joceli Mara Rodrigues de Oliveira, disse que o filho tinha pedido para ir ao passeio como um presente de aniversário. Ela contou que não queria que o filho participasse do passeio, mas, como ele insistiu muito, autorizou e pagou a taxa de R$ 30 para que ele pudesse ir. O estudante tinha completado 14 anos no último dia 1º.

A mãe se disse arrependida por ter deixado o filho ir ao passeio e cobra respostas da escola e da Secretaria de Educação.

Entenda o caso
Daniel estava em um grupo de 72 alunos da Escola Estadual Professor Welcio Mesquita de Oliveira, no Bairro Pascoal Ramos, em Cuiabá, que foram para uma aula de campo.

Ao final do dia, quando o grupo estava no ônibus para retornar à Capital, foi percebida a ausência de três estudantes. Professores e monitores que acompanhavam os alunos chamaram o Corpo de Bombeiros, que começou a fazer buscas pela região.

Dois desses alunos foram encontrados, mas os bombeiros continuaram procurando Daniel, na Cachoeira da Prainha, último lugar onde os professores o viram. O corpo dele foi encontrado a 3 metros de profundidade.

A perícia removeu o corpo e encaminhou ao Instituto Médico Legal (IML) para a realização de necropsia. O exame apontou asfixia mecânica por afogamento como causa da morte.

As aulas na escola estadual onde Daniel estudava foram suspensas e serão retomadas nesta quinta-feira (9), segundo a Secretaria Estadual de Educação (Seduc-MT).

O corpo de Daniel foi sepultado na quarta-feira (8).

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Por G1

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