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Croácia é a finalista que mais jogou na história e físico ‘espanta’ a França

Postado em 14/07/2018 às 15h32min


Croácia é a finalista que mais jogou na história e físico ‘espanta’ a França

A parte física é uma questão que tem feito as apostas na França aumentarem contra a Croácia para a final da Copa do Mundo, neste domingo, em Moscou. Não à toa, o tema virou pergunta frequente nas coletivas das duas seleções. Há algo inédito no Mundial da Rússia: jamais um time chegou à final após três prorrogações seguidas, com duas das vitórias nas cobranças por pênaltis.

Os croatas vão encarar os franceses depois de vencerem Dinamarca e Rússia nas penalidades. Foram 240 minutos de jogo, sem contar os acréscimos. A classificação para a final veio com mais 120 contra a Inglaterra, que perdeu por 2 a 1 após empate em 1 a 1 no tempo normal. Já a França eliminou Argentina, Uruguai e Bélgica com 270 minutos de jogo no total.

Modric, craque da Croácia, é o atleta que percorreu a maior distância até agora na Copa: 63km. Os companheiros Rakitic (62,8km) e Perisic (62,4km) aparecem no “top 5”, que tem o francês Kanté em quarto (62,6km). Zobnin, da Rússia, que foi duas vezes ao tempo extra, é o segundo colocado na lista: 62,9km.

foi duas vezes ao tempo extra, é o segundo colocado na lista: 62,9km.

Quem mais tempo atuou também é Modric, em campo nos seis jogos da seleção: 604 minutos em campo. Os zagueiros Lovren e Vida vêm na sequência, com 560 minutos nas seis partidas da Croácia no Mundial.

– Os croatas parecem que estão sempre frescos, como se estivessem jogando pela primeira vez. Os jogos foram alongados e eles não se entregaram, e agora vão jogar uma final – afirmou o volante da França, Matuidi.

Há 12 anos, quando os franceses chegaram à final, a Itália, campeã, venceu a Alemanha, na semifinal, na prorrogação e, depois, a França, nos pênaltis. A equipe do então jogador e atual treinador francês, Didier Deschamps, venceu o Paraguai nas oitavas com “gol de ouro” na prorrogação e depois bateu italianos nas quartas nas cobranças de pênaltis no caminho para o título em 1998.

Quem se aproxima na história das Copas do que faz a Croácia é a Argentina de 1990: passou por prorrogações e pênaltis diante de Iugoslávia e Itália, nas quartas e semi, respectivamente, e caiu na final, outra vez no tempo extra, para a Alemanha. A Bélgica de 1986 venceu a União Soviética na prorrogação nas oitavas, superou a França nos penais nas quartas e perdeu a semi dos argentinos, campeões, no tempo normal. A Croácia de 2018 já está na história, não só por disputar sua primeira final, mas pelo tempo jogado nos mata-matas.

– Somos a única equipe que vai jogar oito partidas (os tempos extras até agora já somam 90 minutos). A França estará mais descansada, porque teve um dia a mais para se recuperar. Mas não temos desculpas. Ainda que isso seja uma dificuldade, vamos ter energia e motivação suficientes para a final – disse o treinador da seleção da Croácia, Zlatko Dalic.

Preparador físico experiente, com passagens por grandes clubes e pela Seleção Brasileira, Carlinhos Neves avaliou, a pedido do L!, a situação croata.

– Essa conta de “um jogo a mais” para o time da Croácia não deve ser levada em consideração exatamente dessa forma. Nos jogos da primeira fase da Copa, as equipes tiveram sempre cinco dias de intervalo, o que é suficiente para recuperar e ainda treinar. Do primeiro jogo das oitavas, em que ela jogou 120 minutos, até as quartas, ela teve um longo intervalo de seis dias. É tempo suficiente para uma boa recuperação. Entre quartas e semi, o intervalo foi mais curto, de quatro dias. O tempo não é suficiente para recuperar 100%, mas permite uma recuperação satisfatória. Mas para o jogo leva seguinte alguma fadiga residual. Também se perde em relação a se poder fazer uma boa sessão de treinamento de campo antes do jogo. Depois da semi, o intervalo também foi de só quatro dias, somado ao desgaste de outra prorrogação. Certamente a fadiga residual acumulada que os atletas levarão para a final será maior do que a que levaram para a semi. Nesse caso eles devem ter muito cuidado para não submeter os jogadores a nenhum treino de campo que demande fisicamente deles. É recuperar e treinar, mínimo esforço – avaliou o preparador.

A França venceu a Bélgica na terça-feira, enquanto que a Croácia bateu os ingleses na noite de quarta. Os croatas terão um intervalo de cerca de 90 horas do fim de um jogo até o início do outro. O descanso francês será de 114.

– A Croácia fez uma grande partida contra a Inglaterra, são fortes mentalmente. Nós devemos jogar como sabemos. Tudo pode acontecer, até o último minuto. Grandes partidas se definem também por pênaltis – declarou o francês Pogba, não descartando mais 120 minutos de jogo e penais no estádio Lujniki.

Com a palavra: Carlinhos Neves, preparador físico

“A cãibra durante a prorrogação é normal e relativamente esperada em função do elevado nível de competitividade e vigor de um jogo decisivo. Certamente todos eles estão muito bem condicionados fisicamente pois jogam em grandes clubes e disputam grandes ligas. Mas mesmos bem condicionados, manter esse nível de competitividade além dos 90 minutos é extremamente desgastante. A recuperação física plena para a final talvez não seja possível, mas certamente irão conseguir se recuperar de forma suficiente para manter o elevado nível de competitividade que uma final de Copa demandará.

A recuperação já começa dentro do vestiário ao final da partida da semi. Os atletas dever receber hidratação estimulada (não esperar que o atleta manifeste sede e peça algo para beber), além de toda estratégia nutricional de reposição de carboidratos e proteínas o quanto antes e também estimuladas por algum membro da comissão técnica. Além disso, dentro do próprio vestiário eles podem fazer um banho de imersão em água gelada para diminuir a temperatura da musculatura fadigada. Podem ser usados também imediatamente após o jogo trajes compressivos como meias e calças elásticas que promovem a compressão e auxiliam no retorno venoso. Vários clubes e seleções também usam botas pneumáticas que fazem uma compressão no sentido do retorno venosos, fazendo um efeito massageador e estimulando a circulação local. Um dos pontos mais importantes é o sono. Um sono de qualidade nos dias que antecedem a final serão de extrema importância e terão um ótimo efeito reparador. Para isso é importante que os atletas sejam alertados sobre possíveis prejuízos ao sono como o fato de ficar horas olhando para a tela do celular, principalmente a noite na hora de dormir porque a luz de led do celular inibe o sono e consequentemente aumenta o tempo para que o atleta consiga dormir. Atividades leves nos dias seguintes ao jogo, como pedalar em baixa intensidade e movimentar-se dentro de uma piscina aquecida podem ser interessantes, pois constituem o que chamamos de recuperação ativa. Estimula a chegada de sangue rico em nutrientes e oxigênio na musculatura fadigada e remove boa parte dos metabólitos. Alongamento e massagem também podem ajudar.

Isso realmente pode variar de um treinador para outro ou mesmo entre os membros das comissões técnicas. Mas no caso específico desta final entre Croácia e França, existe sim uma diferença. A França tem um dia a mais de recuperação e não precisou jogar 120 minutos na semi. Para a Croácia não seria interessante se envolver em um jogo de muita intensidade, com muitas transições entre campo de ataque e defesa. Nem sempre se consegue fazer no jogo aquilo que se planejou e mesmo sabendo que um jogo intenso assim não seria interessante, isto pode acontecer pelas circunstâncias diversas e incontroláveis de um jogo de futebol, sobretudo em uma final de copa do mundo. O certo é, cansados ou não, França e Croácia vão se entregar incondicionalmente e deixar tudo que puderem em campo.”