Vivemos na era da pressa. Tudo é para ontem, tudo precisa acontecer rápido, tudo precisa dar resultado imediato. A sociedade entrou numa corrida silenciosa onde ninguém sabe exatamente onde quer chegar, mas todos têm certeza de que não podem parar. E talvez seja justamente aí que esteja o nosso maior problema.
Nunca tivemos tanta informação, tanta tecnologia e tantas facilidades. Ainda assim, nunca vimos tanta gente ansiosa, cansada e perdida. Parece que, quanto mais o mundo avança, mais o ser humano se sente para trás. A sensação é de que sempre falta alguma coisa: mais dinheiro, mais reconhecimento, mais conquistas, mais estabilidade.
A verdade é que criamos uma cultura onde descansar virou culpa e desacelerar virou sinônimo de fracasso. Se alguém decide diminuir o ritmo, logo surgem os julgamentos. Se resolve mudar de caminho, dizem que é fraqueza. Se escolhe priorizar a família, a fé ou a própria paz, já não se encaixa mais no padrão que o mundo quer impor.
Mas existe uma coisa que pouca gente fala: nem toda vitória precisa ser barulhenta. Nem todo crescimento precisa ser exibido. E nem todo silêncio significa que nada está acontecendo.
Às vezes, a fase mais importante da vida é aquela em que parece que tudo está parado. É quando a gente reorganiza os pensamentos, redefine prioridades e aprende a separar o que é essencial do que é apenas distração. O mundo ensina a correr. A vida ensina a ter direção.
Talvez o verdadeiro sucesso não esteja em viver acumulando coisas, mas em construir sentido. Em olhar para trás e perceber que, mesmo com tropeços, seguimos firmes. Que mesmo nas fases difíceis, não desistimos. E que, no meio de tanta pressão, conseguimos manter aquilo que realmente importa de pé.
No fim das contas, a maior conquista não é chegar primeiro. É chegar inteiro.
Alan Drumond é jornalista, especialista em Ciência Política e editor-chefe do portal JH Notícias.





















