Pouca gente consegue lembrar exatamente onde estava em dezembro de 2012, mas o ex-prefeito de Porto Velho, Roberto Sobrinho, certamente jamais esquecerá aquele período. Faltando menos de dez dias para o fim do seu mandato, ele encerrava a gestão com mais de 80% de aprovação popular e despontava como um dos nomes mais fortes para disputar o Governo de Rondônia dois anos depois. No entanto, nove dias antes de deixar a Prefeitura, acabou preso em uma operação de grande repercussão midiática, que mudou completamente o rumo da sua vida pública e pessoal.

De lá para cá, passaram-se mais de 13 anos. Ao longo desse período, Sobrinho respondeu a mais de 70 processos, muitos deles desmembrados em diversas ações. A sequência de acusações, investigações e exposições públicas provocou impactos profundos em sua carreira política e também na vida pessoal e familiar. Mesmo assim, uma a uma, as decisões judiciais têm caminhado no sentido de afastar sua responsabilidade direta nos fatos investigados.
Nesta semana, mais um capítulo importante dessa história foi encerrado. A 2ª Câmara Especial do Tribunal de Justiça de Rondônia absolveu o ex-prefeito no processo relacionado à chamada Operação Luminus, que apurava supostos desvios na Emdur durante sua administração. No acórdão, o Tribunal foi categórico ao afirmar que não ficou demonstrado que o então prefeito tenha participado ou concorrido para qualquer irregularidade. Pelo contrário, a decisão destaca que ele adotou medidas administrativas regulares de apuração e controle.
A nova absolvição reforça a sequência de decisões favoráveis que vêm sendo registradas ao longo dos anos e reacende o debate sobre os efeitos duradouros das acusações públicas e operações policiais de grande exposição. Ao lado de outros nomes da política rondoniense que também enfrentaram longas batalhas judiciais, como Valdir Raupp, Ivo Cassol e Acir Gurgacz, Roberto Sobrinho volta a ter reconhecida, pela Justiça, a ausência de responsabilidade nos casos em que foi investigado.
Ainda assim, permanece a pergunta que ecoa entre apoiadores e antigos aliados: quem devolve o tempo, a imagem e os projetos políticos interrompidos ao longo desses anos? A resposta, ao que tudo indica, é simples e dura — ninguém. Mas, com decisões judiciais sucessivas apontando para sua absolvição, a história começa, ao menos, a registrar a correção de uma injustiça que marcou profundamente uma trajetória pública em Rondônia.





















