O hábito dos canalhas: quando a mão estendida encontra a lâmina da traição

Confira as notícias do dia, por Cícero Moura.

Por

Cícero Moura

SECULAR
Existe uma prática antiga, silenciosa e infelizmente comum na história das relações humanas.

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TRAIDOR
O comportamento daquele que aceita ajuda, cresce apoiado na confiança alheia e, tão logo conquista espaço ou poder, retribui com a mais covarde das atitudes — a traição.

DEFORMIDADE
Não é apenas ingratidão. É uma deformação moral que revela caráter frágil, oportunista e, muitas vezes, calculista.

TÁ NA HISTÓRIA
A literatura universal sempre tratou o traidor com desprezo e cautela. Dante Alighieri, em A Divina Comédia, reservou o círculo mais profundo do inferno justamente para os traidores. 

NOJEIRA
Para o poeta italiano, a traição não era apenas um pecado grave — era o mais repugnante de todos, porque destrói o elo fundamental da convivência humana: a confiança. 

NOJEIRA 2
A definição é simples. Trair quem lhe ofereceu apoio é, antes de tudo, negar a própria dignidade.

OUTRO
William Shakespeare também eternizou esse comportamento em Júlio César. A cena em que César, cercado por conspiradores, percebe a presença de Brutus — alguém que ele considerava amigo — é um dos símbolos mais conhecidos da história da traição. 

FRASE
O lendário “Até tu, Brutus?” atravessou séculos justamente porque traduz o espanto e a dor de quem descobre que o golpe mais profundo não vem do inimigo declarado, mas daquele que caminhava ao seu lado.

NOSSA HISTÓRIA
A história brasileira, infelizmente, também oferece exemplos marcantes dessa prática canalha.

MINAS
Um dos episódios mais emblemáticos envolve Joaquim Silvério dos Reis, personagem diretamente ligado à Inconfidência Mineira. 

MINAS 2
Silvério era próximo dos conspiradores e tinha conhecimento detalhado do movimento que buscava libertar o Brasil do domínio português. 

LEVAR VANTAGEM
Porém, movido por interesses pessoais e pela promessa de perdão de dívidas com a Coroa, denunciou seus companheiros. 

RESUMO
O resultado foi devastador: a prisão dos inconfidentes e a execução de Tiradentes. Silvério entrou para a história não como alguém que defendeu uma causa, mas como símbolo da traição movida pelo benefício próprio.

POLÍTICA
Outro episódio frequentemente lembrado envolve a política imperial e republicana, onde alianças eram construídas com discursos de lealdade e rapidamente desfeitas por conveniência. 

JOGO SUJO
A história política brasileira é marcada por personagens que ascenderam amparados por padrinhos políticos e, ao alcançarem protagonismo, trabalharam para enfraquecer ou eliminar aqueles que os impulsionaram. 

ÉTICA
São casos menos romantizados, mas igualmente reveladores da fragilidade ética que muitas vezes acompanha o poder.

CAMINHO
O comportamento do traidor quase sempre segue um roteiro previsível. Primeiro, ele se aproxima com humildade estratégica. 

CAMINHO 2
Demonstra lealdade, gratidão e, muitas vezes, submissão. Depois, aproveita oportunidades, recursos e proteção oferecidos por quem acredita na parceria. 

CAMINHO 3
Quando atinge posição confortável, passa a enxergar o antigo aliado como obstáculo ou como alguém descartável. A traição, então, surge não como impulso, mas como cálculo.

PSICOLOGIA
Psicologicamente, esse tipo de pessoa costuma apresentar forte tendência ao oportunismo e baixa capacidade de construir vínculos genuínos. 

PSICOLOGIA 2
Para ela, relações são instrumentos, não compromissos. A lealdade é substituída pela conveniência, e a gratidão é vista como fraqueza. 

ERRO
Trata-se de indivíduos que confundem esperteza com inteligência e que acreditam que vencer justifica qualquer método.

FATO
Mas há um detalhe que a história e a literatura fazem questão de registrar: o traidor raramente constrói uma reputação sólida. 

FATO 2
Pode até conquistar ganhos imediatos, cargos, dinheiro ou prestígio momentâneo. Contudo, carrega para sempre a marca da desconfiança. 

REINCIDÊNCIA
Quem trai uma vez revela ao mundo sua capacidade de trair novamente. A vitória conquistada com deslealdade costuma ser frágil, porque não se sustenta sobre respeito, apenas sobre medo ou interesse.

ANÁLISE
A sociedade, por sua vez, também precisa refletir sobre como, muitas vezes, tolera ou até recompensa esse comportamento. 

BANAL
Quando o oportunismo é tratado como astúcia e a traição como habilidade política ou social, abre-se espaço para a normalização da canalhice. 

DESMORONA
E quando a traição se torna banal, a confiança — base de qualquer relação humana ou institucional — começa a ruir.

MORAL
Ser leal não significa ser ingênuo. Mas a lealdade ainda é uma das virtudes que sustentam amizades, projetos coletivos e até nações inteiras. 

MORAL 2
A história mostra que civilizações prosperam quando a confiança é valorizada e desmoronam quando a traição se torna regra.

POR AÍ
Os canalhas sempre existirão. Eles caminham entre discursos eloquentes e gestos aparentemente generosos. 

SENHOR DA RAZÃO
Mas o tempo, esse juiz silencioso e implacável, costuma colocar cada personagem no lugar que merece. 

REALIDADE
Aos que traem, resta a lembrança de que podem até subir degraus rapidamente — mas quase sempre constroem suas escadas sobre o vazio moral que, cedo ou tarde, cobra seu preço.

FRASE
Quem é leal valoriza pessoas, não oportunidades.

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