Uma das maiores ações já realizadas contra crimes no campo em Rondônia e região Norte resultou na desarticulação de um amplo esquema criminoso, diretamente ligado à Liga dos Camponeses Pobres (LCP). A megaoperação, conduzida pelo Ministério Público de Rondônia em conjunto com forças policiais, cumpriu 50 mandados de prisão temporária e 120 mandados de busca e apreensão em quatro estados: Rondônia, Mato Grosso, Amazonas e Pará.

A ação é resultado de três anos de investigação, que revelaram um sistema violento e altamente organizado de invasões de terras, extorsão, tortura, homicídios, crimes ambientais e lavagem de dinheiro. Somente nos últimos cinco anos, o grupo teria movimentado mais de R$ 105 milhões, e as medidas judiciais determinaram o bloqueio de mais de R$ 2 bilhões em bens dos investigados.
Além dos prejuízos financeiros e humanos, o dano ambiental é devastador: cerca de 25 mil hectares foram destruídos para consolidar tomadas ilegais de fazendas — o equivalente à abertura de 25 mil campos de futebol na floresta.
Atuação em múltiplos municípios e regiões rurais
A operação alcançou uma vasta área, incluindo Porto Velho e regiões sensíveis como Nova Mutum Paraná, União Bandeirantes, São Carlos, Nova Dimensão, além de municípios como Nova Mamoré, Buritis, Ji-Paraná, Guajará-Mirim, Jaru, Rolim de Moura, Cerejeiras, Cacoal, Costa Marques, Jacinópolis e Castanheiras.
Segundo as investigações, integrantes da LCP eram o braço armado responsável por ameaçar, coagir e até assassinar produtores rurais que não concordavam em assinar documentos transferindo propriedades ao grupo.
Os crimes atribuídos aos investigados incluem:
- Extorsão
- Esbulho possessório violento
- Tortura
- Homicídios
- Roubos e furtos
- Delitos ambientais
- Posse e porte ilegal de armas
- Ameaças e atentados contra produtores e posseiros
Confronto e prisão de integrantes do grupo armado
Durante o cumprimento dos mandados, houve confronto armado na Fazenda Galo Velho, recentemente retomada pela LCP. Policiais militares foram recebidos a tiros. No enfrentamento, um integrante do grupo criminoso foi morto, e sua companheira — ainda não identificada oficialmente — ficou ferida e foi transferida de helicóptero para Porto Velho, onde está internada no Hospital de Base.
A Polícia Militar de Rondônia já vinha alertando sobre os ataques sistemáticos promovidos pela organização, mas somente agora, com a consolidação das provas colhidas pelo MP ao longo de três anos, foi possível deflagrar uma operação de tamanha magnitude.
Fim da impunidade
A LCP, que historicamente operou com violência e intimidação contra produtores rurais em diversas regiões do país, vinha mantendo uma atuação praticamente sem punição efetiva. A megaoperação representa um marco no enfrentamento ao crime organizado no campo e devolve esperança às famílias que, durante anos, viveram sob ameaças.
As autoridades afirmam que as investigações continuam e que novos desdobramentos podem ocorrer nas próximas semanas. O objetivo é garantir a responsabilização de todos os envolvidos e a retomada da paz no campo.
Agora, como afirma o Ministério Público e as forças de segurança, chegou a hora de os criminosos sentirem o peso da Lei e da Justiça.





















