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De olho no fundo eleitoral? Jair Montes lança o próprio filho para deputado federal e movimentação desperta suspeitas

Candidatura de Jair Montes Júnior surge sob o comando político do pai, presidente do Avante em Rondônia, justamente no momento em que os partidos começam a definir a distribuição de milhões de reais em recursos públicos.

De olho no fundo eleitoral? Jair Montes lança o próprio filho para deputado federal e movimentação desperta suspeitas

Na política, dificilmente existe movimento sem cálculo. E quando o presidente estadual de um partido decide lançar o próprio filho como candidato a deputado federal, em uma eleição abastecida por bilhões de reais do fundo eleitoral, a decisão inevitavelmente chama atenção e levanta uma pergunta que Jair Montes e o Avante precisarão responder com absoluta transparência:

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A candidatura representa realmente um projeto eleitoral competitivo ou também foi pensada para garantir espaço na divisão dos recursos públicos destinados à campanha?

Jair Montes, comandante do Avante em Rondônia, colocou o filho, Jair Montes Júnior, na disputa por uma das oito vagas do Estado na Câmara dos Deputados. Apresentada publicamente como renovação e continuidade de um legado familiar, a candidatura também pode ocupar uma posição estratégica dentro da estrutura financeira e eleitoral da legenda.

Isso porque candidato a deputado federal não entra em uma campanha apenas com nome, número e discurso. Ele pode receber estrutura partidária, propaganda, serviços, materiais e recursos do Fundo Especial de Financiamento de Campanha, o chamado fundo eleitoral.

Para as eleições de 2026, aproximadamente R$ 4,9 bilhões em dinheiro público foram disponibilizados para o financiamento das campanhas em todo o Brasil. Os valores são distribuídos inicialmente entre os partidos de acordo com critérios estabelecidos pela legislação. Depois, cada legenda define internamente quais candidaturas receberão os recursos e quanto será destinado a cada uma.

É justamente aí que a candidatura do filho do presidente estadual passa a ser observada com uma lupa ainda maior.

Mesmo que Jair Montes não tenha poder individual para decidir sozinho a distribuição nacional do fundo, sua influência política no comando do Avante em Rondônia é evidente. Como dirigente estadual da legenda, participa diretamente da construção das nominatas, das articulações políticas e da definição das prioridades eleitorais do partido no Estado.

Diante desse cenário, seria ingenuidade tratar o lançamento do próprio filho como uma movimentação comum, desprovida de qualquer cálculo partidário.

Afinal, Jair Montes Júnior terá campanha efetivamente estruturada para buscar uma cadeira na Câmara dos Deputados? Quanto receberá do fundo eleitoral? Terá tratamento semelhante ao dos demais candidatos? Quais critérios serão utilizados pelo Avante para definir os investimentos em Rondônia?

São perguntas legítimas envolvendo dinheiro público e não acusações.

A legislação determina que a direção nacional de cada partido estabeleça e divulgue seus critérios de distribuição do fundo eleitoral entre candidatas e candidatos. Portanto, somente quando esses critérios, repasses e prestações de contas forem publicados será possível saber quanto a candidatura de Jair Montes Júnior receberá e qual será sua prioridade dentro da estratégia do Avante.

Herdeiro político ou candidato conveniente?

O discurso oficial poderá apresentar Jair Montes Júnior como representante de uma nova geração. Entretanto, no tabuleiro eleitoral, sobrenome, estrutura partidária e proximidade com quem controla a legenda são fatores que naturalmente despertam desconfiança.

Não se trata de afirmar, neste momento, que exista ilegalidade, fraude ou candidatura fictícia. Até agora, não há elemento público apresentado que permita sustentar qualquer uma dessas acusações.

O que existe é uma situação politicamente delicada, o presidente estadual de um partido lança o próprio filho para um dos cargos mais caros e disputados da eleição, justamente quando a legenda terá de decidir como utilizar recursos públicos de campanha.

A coincidência pode ser apenas política. Mas é grande demais para passar sem questionamentos.

Caso a candidatura seja competitiva, percorra o Estado, apresente propostas, conquiste apoio e demonstre empenho real para chegar à Câmara, Jair Montes Júnior terá a oportunidade de responder às dúvidas nas ruas e nas urnas.

Por outro lado, uma eventual campanha discreta, sem estrutura eleitoral proporcional aos recursos recebidos ou sem demonstração concreta de competitividade poderá aumentar ainda mais os questionamentos sobre a verdadeira finalidade da candidatura.

O dinheiro deixará rastros

Todas as receitas e despesas eleitorais deverão aparecer na prestação de contas apresentada à Justiça Eleitoral. Será possível acompanhar quanto o Avante destinou ao candidato, quais empresas foram contratadas, quanto foi gasto com publicidade, pessoal, eventos, deslocamentos e produção de materiais.

É nesses documentos e não em discursos que a população poderá encontrar as respostas.

Até lá, a candidatura do filho de Jair Montes continuará carregando uma pergunta difícil de ignorar: o Avante está lançando uma nova liderança para representar Rondônia em Brasília ou posicionando alguém da própria família para ocupar um espaço privilegiado na distribuição da estrutura eleitoral do partido?

A resposta deverá ser dada com campanha, votos e, principalmente, transparência sobre cada centavo de dinheiro público empregado.

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