É DO PT MESMO? – Impeachment de Dilma volta à cena e expõe “duas caras” de Expedito Neto

Deputado foi acusado de golpista pela ex-presidente

Lembrado por militantes e simpatizantes da esquerda brasileira como o dia em que o Estado Democrático de Direito sofreu um duro golpe, 17 de abril de 2016 marcou a votação, na Câmara dos Deputados, que autorizou a abertura do processo de impeachment da então presidente Dilma Rousseff (PT).

Transmitida em rede nacional por praticamente todas as emissoras de televisão, a sessão foi acompanhada com atenção pela população rondoniense, que observava atentamente o posicionamento da bancada federal do Estado, composta por oito parlamentares.

O primeiro a declarar voto foi o então deputado federal Expedito Neto (PSD). Ao chegar à tribuna, proferiu um sonoro “sim” à saída da presidente petista do Palácio do Planalto, deixando o microfone logo em seguida, sob aplausos entusiasmados de parlamentares favoráveis à destituição de Dilma.

O impeachment desencadeou uma sequência de fatos devastadores para o Partido dos Trabalhadores, incluindo a prisão de suas principais lideranças, entre elas o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que se tornou alvo de uma perseguição político-judicial posteriormente considerada indevida pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Quase uma década depois, sem demonstrar constrangimento ou autocrítica, e em um movimento que beira a dissimulação política de quem prefere apagar o passado, Expedito Neto surge como potencial nome para assumir o controle do PT em Rondônia, além de se apresentar como possível candidato do presidente Lula ao governo do Estado.

Vale destacar que Neto ocupa atualmente um dos cargos mais relevantes já concedidos pelo Executivo Federal a uma liderança política rondoniense: uma secretaria ministerial, posição que nem mesmo alguns dos petistas históricos do Estado conseguiram alcançar ao longo dos anos.

Mesmo com a iminente migração para o PT deixando o PSD de Gilberto Kassab, outro personagem central no processo de impeachment, Expedito Neto ainda não fez qualquer manifestação pública sobre sua participação direta na derrubada de Dilma Rousseff, hoje presidente do Banco dos BRICS, mas que até hoje classifica o episódio como um golpe.

Diante disso, a pergunta que ecoa nos bastidores é inevitável: os petistas aceitarão Expedito Neto sem que ele preste contas de um ato que contribuiu para quase destruir o partido? Como um político pode mudar de posição de forma tão abrupta e, ainda assim, esperar manter sua credibilidade intacta?

Ao que tudo indica, antes mesmo de formalizar sua entrada na legenda de Lula e Dilma, Expedito Neto terá muito a explicar especialmente para a militância que jamais esqueceu quem disse “sim” naquele 17 de abril.

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