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A BR-364 sempre foi muito mais do que uma estrada para Rondônia. É por ela que passa a produção agrícola, o transporte de mercadorias, ambulâncias, estudantes, trabalhadores e milhares de famílias que dependem da rodovia para viver. Mas o que deveria representar desenvolvimento e integração passou a simbolizar indignação, revolta e insegurança para grande parte dos rondonienses.

Desde o início da cobrança dos pedágios, motoristas, produtores rurais, empresários e representantes políticos vêm questionando os valores praticados e a falta de melhorias visíveis em diversos trechos da rodovia. A discussão ganhou força nos últimos meses e se transformou em um dos temas mais debatidos do estado, chegando ao Senado, ao Ministério Público Federal e agora à Assembleia Legislativa, onde deputados articulam a instalação de uma CPI para investigar os critérios da concessão e das tarifas cobradas.

O sentimento predominante entre os usuários é de que a conta chegou antes dos benefícios. Enquanto os pedágios já pesam no bolso da população, muitos motoristas continuam relatando problemas de infraestrutura, riscos de acidentes e dificuldades para quem depende diariamente da BR-364. O próprio Ministério Público Federal entrou na discussão defendendo a revisão do modelo de concessão e argumentando que a cobrança deveria estar vinculada à efetiva entrega das obras previstas no contrato.

Em ano pré-eleitoral, a rodovia deixou de ser apenas um tema de infraestrutura para se tornar um assunto político de primeira grandeza. Parlamentares, prefeitos, senadores e pré-candidatos já perceberam que a insatisfação popular com a BR-364 pode influenciar diretamente o cenário eleitoral de 2026. Afinal, para quem enfrenta a estrada todos os dias, a discussão não é sobre números ou contratos. É sobre o custo de viver, trabalhar e circular em Rondônia.

No fim das contas, a pergunta que ecoa de Porto Velho a Vilhena continua sem resposta definitiva: se a população está pagando mais, quando começará a enxergar as melhorias prometidas? Enquanto essa resposta não chega, a BR-364 segue no centro do debate e, cada vez mais, no coração da insatisfação popular.

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