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A decisão de estados e municípios de manter os planos de reabertura das atividades econômicas, mesmo com o avanço da variante delta no país, é considerada por especialistas como imprudente e irresponsável.

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Para os infectologistas, o Brasil ainda não tem controle da transmissão do vírus nem patamar seguro de pessoas vacinadas para flexibilizar as regras de distanciamento.

Na quarta (4), o governador João Doria (PSDB) anunciou que manterá o plano de retirar todas as restrições de funcionamento dos comércios e serviços a partir do dia 17 de agosto.

No Rio, o prefeito Eduardo Paes (PSD) chegou a anunciar um plano de flexibilização que incluía até quatro dias de festa. Nesta sexta (6), ele recuou. No entanto, a prefeitura carioca continua prometendo festa de Réveillon.

“É arriscado e precoce falar na retirada das restrições. Estamos vendo uma entrada importante da variante delta no país em um momento em que a maioria da população ainda não está com a imunização completa”, diz Alberto Chebabo, vice-presidente da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).

O país tem menos de um terço da população adulta completamente vacinada. Dados da quinta-feira (5) mostram que 27,5% dos adultos receberam as duas doses ou imunizante de dose única.

Apesar de a vacinação ter avançado no Brasil nos últimos meses, 67,7% dos adultos ainda só receberam uma dose, ou seja, uma imunização parcial. Estudos científicos e os dados de outros países mostram que uma única dose de qualquer imunizante fornece pouca proteção contra a delta.

No Brasil, já há circulação comunitária da variante delta, que é mais transmissível e tem escape imune.

Ainda que os estudos indiquem a proteção somente após a aplicação das duas doses, os governos afirmam que a flexibilização das regras é possível diante do avanço da vacinação, mesmo que incompleta. Em São Paulo, por exemplo, a data para a retirada das restrições está prevista para um dia depois de todos os adultos do estado terem recebido uma dose.

“Quem só recebeu uma dose não está protegido. Estão planejando a reabertura com a maioria da população ainda sem proteção. Corremos o risco de ter uma onda pior do que a dos Estados Unidos e países da Europa, porque ainda não temos proteção vacinal para a maioria”, diz o infectologista Renato Grinbaum, consultor da SBI.

Para o infectologista Hélio Bacha, o Brasil desperdiça a vantagem de estar num estágio anterior da pandemia em relação a outros países, o que permitiria adiantar medidas de contenção.
“Mais uma vez desperdiçamos a possibilidade de agir antes de a situação piorar. Estamos vendo o risco da liberação precipitada e dos riscos da variante delta, mas as autoridades ignoram o que está acontecendo.”

Para os especialistas, o Brasil está vendo os efeitos positivos da vacinação, com a queda de internações e mortes, mas ainda tem alta taxa de transmissão. A média móvel de casos se encontra em queda, mas ainda é de 32.462 infecções registradas por dia.

“Não diria que as autoridades estão sendo otimistas em planejar a reabertura, mas, sim, irresponsáveis. Vivemos um momento epidemiológico complexo, e falar na retirada de restrições pode provocar mudança no comportamento social que depois vai ser difícil de retroceder”, diz Bacha.

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