Notícias de Brasil

“Doutor Bumbum” atuou em clínicas clandestinas no Distrito Federal

Postado em 18/07/2018 às 09h07min


“Doutor Bumbum” atuou em clínicas clandestinas no Distrito Federal
Ilustrativa

Após a repercussão nacional e internacional do caso da bancária Lilian Quezia Calixto Jamberci, 46 anos, que morreu ao realizar um procedimento estético com o médico Denis César Barros Furtado, 45, o Conselho Regional de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) encaminhou denúncia contra o suspeito à Polícia Federal. Mais conhecido nas mídias sociais como “Dr. Bumbum”, Denis está foragido, considerado responsável pela morte da paciente, que se submeteu a um preenchimento glúteo em um apartamento do Shopping Downtown, na Barra da Tijuca. A autarquia também pedirá a interdição cautelar de Denis ao Conselho Federal de Medicina (CFM).

A 1ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) decretou a prisão temporária do médico e da mãe dele, Maria de Fátima Furtado, que participou da operação e estava com o registro profissional cassado no Cremerj. Os dois são considerados foragidos pela Polícia Civil. Antes de atuar no município carioca, Denis trabalhava em clínicas clandestinas de Brasília. Há  15 ocorrências registradas contra ele na 10ª Delegacia de Polícia do Distrito Federal por crimes contra o consumidor e exercício ilegal da medicina, além de suspeitas de lavagem de dinheiro. O conselho de medicina do DF informou que o médico responde a processo ético-profissional que tramita em sigilo na Justiça.

O pedido de prisão temporária foi apresentado pelo juiz Paulo Cesar Vieira de Carvalho Filho. “A liberdade do indiciado compromete sobremodo a regular colheita da prova, além de configurar induvidoso risco de fuga”, avaliou o magistrado. A polícia do Rio de Janeiro realizou buscas e apreensões em dois endereços na Barra da Tijuca. Além de Denis César e Maria de Fátima, duas técnicas de enfermagem que teriam acompanhado o procedimento — Renata Fernandes Cirne, namorada de Denis, e Rosilane Pereira da Silva — foram indiciadas pelos crimes de homicídio doloso duplamente qualificado e associação criminosa.

Apesar disso, o magistrado destacou que os depoimentos de testemunhas e as provas apresentadas até o momento foram suficientes para decretar somente as prisões dos dois médicos. A 24ª Promotoria de Investigação Penal do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) pediu a prisão temporária dos quatro envolvidos no caso.

A advogada do médico, Naiara Baldanza, afirmou, em nota, que muitas das informações que circulam na internet e mídias sociais sobre Denis são inverídicas. Ela ressaltou que qualquer conclusão acerca da morte de Lilian Calixto e eventual responsabilidade associada ao cliente dela são precoces. “Fui informada de que Lilian não apresentou qualquer complicação no momento do procedimento estético e que, após receber uma ligação da paciente informando que não estava se sentindo bem, o dr. Denis e a dra. Fátima acompanharam pessoalmente a bancária até o hospital”, declarou.

A advogada de Renata e Rosilene, Valéria Vieira, apontou o Dr. Bumbum e a mãe como responsáveis pela morte de Lilian. Ela declarou que as duas clientes não atuaram no procedimento cirúrgico. “A Rosilene é uma faxineira, e a Renata, recepcionista. Quem estuda enfermagem é a Rosilene, que entrou nessa por acaso”, disse.