
Rondônia está mudando. E não é uma mudança perceptível de um dia para o outro. Ela acontece em silêncio, nos números, nos corredores dos hospitais, nas filas dos postos de saúde, nas casas vazias de jovens que foram embora.
O Estado envelhece mais rápido que a média nacional. A população acima dos 50 anos cresce, enquanto os jovens deixam Rondônia em busca de oportunidades que aqui não encontram. O resultado é um desequilíbrio perigoso: menos gente produzindo, mais gente precisando de assistência.
Ao mesmo tempo, cresce o número de doenças crônicas. Diabetes, hipertensão, obesidade, depressão e problemas cardiovasculares se tornaram parte da rotina de milhares de famílias. Quem absorve esse impacto? O Sistema Único de Saúde, já sobrecarregado e sem capacidade de resposta estrutural, especialmente fora da capital.
O efeito econômico é inevitável. Menos empregos formais, mais dependência de programas sociais, arrecadação pressionada e despesas permanentes crescendo. Municípios pequenos já operam no limite. A capital concentra problemas que vão da mobilidade à moradia, da saúde à segurança.
O mais preocupante é que não há planejamento para o futuro demográfico de Rondônia. Não existe uma política consistente de prevenção em saúde, nem estratégias reais para manter jovens aqui, nem preparação da máquina pública para uma sociedade mais velha e mais doente.
Essa crise não explode. Ela se infiltra. É o hospital lotado que vira rotina. A fila que não anda. O médico que não vem. O jovem que vai embora. O idoso que depende exclusivamente do Estado.
A pergunta não é se o problema vai chegar. Ele já chegou.
A pergunta é outra: vamos continuar fingindo que não vemos, ou vamos começar a planejar Rondônia para o futuro que já está batendo à porta?
Por Alan Drumond – Jornalista especialista em Ciência Política.





















