Guru indiano foragido anuncia criação de ”país” na costa do Equador

Mundo - sábado, 07/12/2019 às 08h51min • Atualizado 14/02/2020 às 14h30min
Guru indiano foragido anuncia criação de ”país” na costa do Equador

Um guru indiano foragido, acusado de estupro e sequestro, anunciou na quarta-feira (4) a criação de um “país” na costa do Equador. Nithyananda, de 41 anos, que está foragido há mais de um ano, fez o anúncio em seu canal no YouTube. Ele afirmou que o lugar, com o nome de Kailaasa, será a “maior” e “mais pura” nação hindu do mundo.

De acordo com o jornal britânico “The Guardian”, a nação vai ser estabelecida em uma ilha privada na costa equatoriana, que foi comprada do governo do Equador com o dinheiro de um dos devotos do guru.

Já é possível fazer pedidos de “cidadania espiritual” e de um passaporte, que garantiria a “entrada livre em todas as 11 dimensões e 14 ‘lokas’ (os 14 mundos do hinduísmo), incluindo Kailaasa”.

Só hindus praticantes podem pedir a cidadania, e quem tiver interesse precisa fazer uma doação. Todos os pedidos de passaporte serão pessoalmente aprovados por Nithyananda.

A nação é autodescrita como “uma nação sem fronteiras criada por hindus sem posses de todo o mundo, que perderam o direito de praticar o hinduísmo autenticamente em seus próprios países”.

O governo de Kailaasa terá vários departamentos, incluindo Educação, Fazenda e Comércio. Também haverá um “Departamento de Civilização Iluminada”, que vai trabalhar para reviver o hinudísmo ortodoxo. De acordo com o jornal indiano “Times of India”, uma atriz do sul da Índia, conhecida como “Maa”, foi nomeada “primeira-ministra”, e Nithyananda está no processo de escolher seu gabinete.

O sânscrito, o tamil e o inglês serão as línguas oficiais da nação, que também irá oferecer assistência médica universal, distribuição gratuita de alimentos, educação gratuita e “renascimento de um estilo de vida baseado no templo”, de acordo com o site oficial.

Acusações

No mês passado, a polícia do estado indiano de Gujarat invadiu o ashram (nome dado a retiros espirituais de religiões indianas) de Nithyananda na cidade de Ahmedabad, e prendeu dois gerentes. A operação ocorreu depois da libertação de várias crianças que teriam sido sequestradas e mantidas presas no lugar.

De acordo com um relatório da polícia sobre o caso, as crianças “foram abusadas ​​verbalmente de forma horrível, foram espancadas”. Elas teriam sido sequestradas para coletar doações para o ashram.
Nithyananda também é acusado de ter estuprado uma de suas discípulas por cinco anos, durante sua permanência em um ashram, sob o pretexto de ajudá-la espiritualmente. Ele não compareceu ao julgamento do caso, no ano passado, segundo o “The Guardian”.

De acordo com o “Times of India”, ele também está sendo investigado por autoridades francesas por ter, supostamente, cometido fraude contra um de seus discípulos, no valor de US$ 400 mil (cerca de R$ 1,7 milhão). Segundo o jornal, a polícia de Gujarat vai pedir à Interpol um “alerta azul” para o indiano. Esse tipo de alerta é feito para obter mais informações sobre a identidade, localização ou atividades de alguém em relação a um crime.

Em 2014, uma de suas seguidoras morreu em circunstâncias misteriosas em seu ashram. Líderes do retiro alegaram que ela morreu de ataque cardíaco, mas a família disse suspeitar de jogo sujo, segundo o “The Guardian”.

Em 2010, também houve controvérsia ao redor do guru quando uma fita com conteúdo sexual, mostrando ele e uma atriz da etnia tamil, foi lançada.

O guru, que se autoproclamou um “homem-deus”, tem mais de uma dúzia de templos e ashrams em toda a Índia, de acordo com o “The Guardian”, mas já sofreu críticas por suas alegadas habilidades espirituais – como atrasar o nascer do Sol por 40 minutos, ser capaz de ver através de paredes e de ter curado 82 crianças cegas ao “abrir o terceiro olho” delas.

Por G1