LABIRINTO DE BRONZE — R$ 48 milhões, 1.611 cabeças de gado e empresa em Goiás: investigação avança sobre suposta estrutura armada em Rondônia

Segunda fase da operação resultou em três mandados de prisão preventiva e amplia rastreamento patrimonial; Gaeco investiga, em tese, lavagem de dinheiro e constituição e manutenção de milícia privada ligada a conflitos fundiários

LABIRINTO DE BRONZE — R$ 48 milhões, 1.611 cabeças de gado e empresa em Goiás: investigação avança sobre suposta estrutura armada em Rondônia

Por JH Notícias

Uma investigação que começou atingindo imóveis, veículos, dinheiro e até 1.611 cabeças de gado ganhou um novo capítulo em Rondônia.

A segunda fase da Operação Labirinto de Bronze, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Rondônia, aprofundou uma apuração que envolve suspeitas de lavagem de dinheiro e constituição e manutenção de milícia privada.

Nesta nova etapa foram expedidos três mandados de prisão preventiva, um mandado de busca e apreensão em Ariquemes e medidas cautelares diversas da prisão contra uma investigada.

As determinações foram autorizadas pela 1ª Vara de Garantias da Comarca de Porto Velho.

Mas é quando se observa o que foi encontrado durante toda a investigação que a dimensão do caso começa a aparecer.

Mais de R$ 48 milhões

A primeira fase da Labirinto de Bronze ocorreu em 26 de maio e atingiu Porto Velho, Ariquemes e Cujubim.

Naquela etapa, a Justiça autorizou uma série de medidas patrimoniais.

Segundo informações divulgadas a partir da investigação do MPRO, as medidas ultrapassaram R$ 48 milhões.

Entraram nesse conjunto bloqueios financeiros, indisponibilidade de imóveis, apreensão de veículos e a constrição de nada menos que 1.611 cabeças de gado bovino.

A presença do rebanho entre os bens alcançados ajuda a revelar uma característica importante da investigação: o patrimônio rural aparece como uma das peças analisadas pelo Gaeco.

Celulares e documentos fizeram investigação avançar

A segunda fase não surgiu de uma investigação completamente nova.

Ela nasceu principalmente da análise do material apreendido em maio.

Aparelhos eletrônicos e documentos passaram por análise e, segundo o MPRO, produziram novos elementos para os investigadores.

De acordo com a linha investigativa apresentada pelo órgão, esses elementos reforçaram indícios da existência de uma estrutura armada e hierarquizada, com divisão de tarefas e possível atuação em conflitos fundiários.

O Ministério Público também investiga a existência de mecanismos destinados à ocultação e dissimulação de patrimônio.

É importante destacar que se trata de uma investigação em andamento. As suspeitas e responsabilidades individuais ainda precisam ser apuradas e não representam, por si só, condenação dos investigados.

Empresa em Goiás entra no radar

Outro ponto chama atenção na nova etapa.

Depois da primeira operação, os investigadores identificaram indícios de que um dos investigados teria participação econômica em uma empresa formalmente registrada em nome de terceiro.

A empresa fica em Aparecida de Goiânia, em Goiás.

Com base em informações telemáticas, societárias e financeiras reunidas durante a investigação, a Justiça determinou o sequestro de 50% das quotas, direitos societários e direitos econômicos relacionados à pessoa jurídica.

A medida possui relação direta com o rastreamento patrimonial realizado pelo Gaeco.

Segundo as informações divulgadas sobre o caso, as constrições realizadas na primeira fase não foram suficientes para alcançar integralmente o limite global de aproximadamente R$ 48 milhões estabelecido judicialmente.

Por que “Labirinto de Bronze”?

Até o nome escolhido para a operação ajuda a entender o caminho percorrido pelos investigadores.

Segundo o MPRO, “Labirinto de Bronze” faz referência ao histórico de fuga e evasão das ações dos órgãos de segurança atribuído ao principal investigado e à complexidade da estrutura de ocultação patrimonial identificada durante as apurações.

Os investigadores analisam mecanismos que envolveriam empresas, movimentações financeiras fracionadas, pessoas interpostas e patrimônio rural.

A suspeita é de que essa estrutura teria sido utilizada para dificultar o rastreamento da origem e da titularidade de determinados bens e valores.

Conflitos por terra entram no centro da investigação

Existe ainda um componente que torna o caso especialmente relevante para Rondônia.

A investigação não está concentrada apenas na movimentação de dinheiro.

Os novos elementos, segundo o MPRO, reforçaram indícios de uma estrutura armada organizada e relacionada a conflitos fundiários.

Esse aspecto amplia o alcance da investigação.

O que o Gaeco tenta agora delimitar é quem fazia parte da estrutura, qual teria sido a função de cada integrante, como os recursos teriam circulado e de que maneira o patrimônio investigado estaria relacionado às atividades apuradas.

A análise dos aparelhos e documentos também teria permitido individualizar a possível participação de pessoas cuja atuação ainda não estava suficientemente delimitada na primeira fase.

Investigação continua

A segunda fase contou com apoio operacional da Polícia Civil de Rondônia, da Polícia Técnico-Científica (Politec) e da Força-Tarefa Integrada de Combate ao Crime Organizado.

Com prisões, novas buscas e ampliação das medidas patrimoniais, a Operação Labirinto de Bronze entra agora em uma fase decisiva.

O tamanho do patrimônio alcançado — mais de R$ 48 milhões —, as 1.611 cabeças de gado, a entrada de uma empresa localizada fora de Rondônia na investigação e os indícios apontados pelo Ministério Público de uma estrutura armada relacionada a disputas fundiárias colocam o caso entre as investigações de maior repercussão em andamento no estado.

Agora, a análise do material apreendido poderá indicar até onde esse labirinto realmente chega.

O JH Notícias continuará acompanhando os desdobramentos da Operação Labirinto de Bronze e atualizará a reportagem caso novas informações sejam divulgadas pelas autoridades.

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